O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (14) que o caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro deve ser tratado pela polícia e pelos órgãos de investigação. A declaração foi dada durante visita à fábrica de fertilizantes nitrogenados Fafen, em Camaçari, na Bahia.
Ao ser questionado por jornalistas sobre o assunto, Lula evitou comentar diretamente o mérito das denúncias e afirmou que não cabe ao presidente investigar o caso. “É um caso de polícia”, declarou.
A polêmica ganhou repercussão após reportagem do portal The Intercept Brasil revelar mensagens e um áudio atribuídos a Flávio Bolsonaro, nos quais o parlamentar teria solicitado apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para custear um filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a publicação, o valor negociado chegaria a R$ 134 milhões. As investigações apontam que parte dos recursos teria sido transferida entre fevereiro e maio de 2025, por meio de operações internacionais envolvendo empresas ligadas ao banqueiro e um fundo nos Estados Unidos administrado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Daniel Vorcaro está preso preventivamente suspeito de envolvimento em fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master, instituição que teve liquidação decretada pelo Banco Central após dificuldades para honrar compromissos financeiros com clientes. Atualmente, ele permanece detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, enquanto negocia um possível acordo de delação premiada.
Após a divulgação da reportagem, Flávio Bolsonaro admitiu ter buscado patrocínio para o filme, mas negou qualquer irregularidade. Em nota, o senador afirmou que se trata de uma produção privada, sem uso de recursos públicos ou incentivos da Lei Rouanet. O parlamentar também negou ter oferecido vantagens indevidas ao banqueiro em troca do apoio financeiro.
Deputados da base governista acionaram a Polícia Federal e a Receita Federal pedindo investigação sobre as transações financeiras e possível prática de crimes relacionados às negociações entre o senador e o empresário.