A partir de 1º de janeiro de 2026, o salário mínimo passará a ser de R$ 1.621. O novo valor representa um reajuste de 6,8%, pouco mais de R$ 100, em relação ao piso atual de R$ 1.518, e foi definido por meio de publicação do governo federal no Diário Oficial da União, nesta quarta-feira (24).
O valor do salário mínimo é calculado com base em dois critérios: a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores. Esse modelo assegura a recomposição do poder de compra e prevê ganho real acima da inflação.
No entanto, o aumento real é limitado pelo arcabouço fiscal, que estabelece um teto de até 2,5% além da inflação. Assim, o reajuste anual resulta da soma do INPC acumulado até novembro com o crescimento do PIB, respeitando esse limite.
A fórmula atual difere da adotada nos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, quando o salário mínimo era reajustado apenas pela inflação. Para o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos (Dieese), esse modelo anterior teve impactos negativos sobre o poder de compra, especialmente em períodos de inflação mais alta.
"Esse modelo teve efeitos adversos sobre o poder de compra em contexto de inflação relativamente elevada. Enquanto os preços avançam continuamente, a recomposição salarial ocorre apenas uma vez, no reajuste anual, fazendo com que o salário mínimo real se deteriore ao longo do ano", explicou em nota.
O salário mínimo corresponde à menor remuneração permitida para trabalhadores com carteira assinada e, conforme a Constituição Federal, deve ser suficiente para garantir as necessidades básicas do trabalhador e de sua família, como moradia, alimentação, saúde, transporte, higiene e lazer.
Segundo o Dieese, cerca de 62 milhões de brasileiros recebem salário mínimo. Com o novo valor de R$ 1.621, o impacto estimado na economia é de R$ 81,7 bilhões.