A derrota do advogado-geral da União, Jorge Messias, no Supremo Tribunal Federal, ultrapassa o campo jurídico e já começa a produzir efeitos no ambiente político. Essa é a primeira vez desde 1894 que os senadores rejeitam uma indicação do presidente da República ao Supremo. No Piauí, a reação dos senadores mostra que o tema pode, sim, chegar ao debate eleitoral.
O senador Ciro Nogueira adotou um tom indireto, mas com endereço claro. Ao apontar falhas na condução do governo ao levar o caso ao STF, abre espaço para um discurso que pode ser explorado na campanha, especialmente entre eleitores mais críticos à gestão federal.
" O tempo mostrará que um grande brasileiro foi vítima de circunstâncias menores", enfatizou.
O senador Marcelo Castro preferiu reforçar a importância de respeitar as decisões do Supremo. A posição mantém o alinhamento com o governo e aposta em um eleitor que valoriza estabilidade institucional, sem ampliar o conflito.
A senadora Jussara Lima não se manifestou publicamente. O silêncio, nesse caso, também é estratégia. Evita desgaste em um tema que divide opiniões e que pode ser usado de diferentes formas no palanque.
No fim, o julgamento vira argumento. E argumento, em ano de eleição, costuma ganhar peso nas urnas. E uma coisa é certa, a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, nesta quarta-feira (29), na sabatina do Senado, é uma vitória para o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e é também uma derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).