O embate entre MDB e PSD ganhou contornos de guerra aberta, com ligações, articulações intensas e propostas tratadas como "irresistíveis".
O jogo de chapas já deixou de ser sussurrado e passou a ser declarado. Um emedebista integrante do núcleo "duro" da sigla, tentou amenizar o clima ao afirmar que, para ele, está tudo em "paz e amor". A ressalva veio na sequência, ao admitir que o sentimento não é o mesmo entre os demais. Na mesma fala, não poupou críticas a Georgiano Neto e foi direto ao ponto ao dizer que o parlamentar errou.
A resposta não demorou. Ainda no mesmo dia, poucas horas depois, ainda na quarta-feira, durante mais um ato de filiação do PSD, Georgiano elevou o tom e mandou um recado aos adversários. Disse que podem tentar colocar catinga, mas não vão conseguir, e foi além ao assegurar que Júlio César será senador.
A declaração incendeia ainda mais o ambiente, que já estava longe de ser pacífico. O pré-candidato ao senado Júlio César também entrou no jogo e tratou de reforçar sua posição ao afirmar que, depois da fusão cruzada, ficou melhor. A frase, ainda que breve, tem força, é um enfrentamento.
Pelo visto, cada vez mais, ninguém está disposto a recuar. Telefones seguem tocando durante a noite, alianças são revistas e os movimentos continuam acelerados o que também indica que o cenário pode mudar a qualquer momento.
Em plena quinta-feira santa, quando o simbolismo do lava-pés remete à humildade e à reconciliação, na política do Piauí a trilha é um caminho oposto. Em vez de conciliação, tensão, desconfiança e um jogo onde cada movimento tem peso estratégico. Quanto ao discurso de de "paz e amor" do emidebista, resiste apenas na superfície. Nos bastidores, o parquinho segue em chamas.