Por Cezar Fortes - Economista
O IBGE acaba de divulgar dados da PNAD -2025.
Destaque para o rendimento nominal mensal domiciliar per capita. O que é isto? Qual a sua relevância? Em resumo, são somadas todas as rendas da família e, depois, dividida pelo número de pessoas que moram na casa.
Exemplo: se a renda mensal da família foi de R$ 4500,0 e vivem 3 pessoas naquele domicílio, o tal rendimento mensal per capita será de R$ 1500. Este levantamento tem importância central, pois ele revela o dinheiro no bolso das pessoas, num levantamento super atual.
E o nosso Piauí apresentou resultados bastante interessantes.
O valor correspondente ao Piauí foi de R$ 1546 mensais e posicionou o Estado em 4° lugar dentre as 9 Unidades que formam o Nordeste. Em outras palavras, 5 Estados tiveram desempenho inferior ao piauiense. Inclusive, supostas "ilhas de desenvolvimento" , como alguns desavisados se referem ao Maranhão e ao Ceará.
Impossível não recordar de onde viemos, num recorte mais recente. Em 1960, quando foi criada a Sudene, a situação era a seguinte: o Nordeste possuía a metade da renda per capita nacional, o que era alarmante. Por outro lado, o Piauí era o patinho feio nordestino. Tínhamos a metade da renda média nordestina. Ou seja, dentre os atrasados, estávamos longe, na pior colocação. Se fosse na fórmula 1, não estaríamos nem na mesma volta do líder.
De volta a 2025, constatar que a renda do piauiense aproximou-se da média brasileira (evoluiu de 25% da renda per capita nacional em 1960 para 66,7% em 2025) e alcançou posição privilegiada no contexto nordestino é bastante relevante.
Mesmo considerando que estamos falando de 65 anos de intervalo, o resultado é significativo.
Mas não impede que a ignorância seja audaciosa.
Cezar Fortes
Economista - Doutorado em Planejamento Regional ( Universidade de Grenoble / França) ; Professor de Economia da UFPI; Secretário de Planejamento do Piauí e de Teresina; Presidente da Fundação Cepro.