Em 2026 os piauienses voltarão às urnas para escolher governador, dois senadores, 10 deputados federais e 30 deputados estaduais. Embora a votação deva ocorrer em outubro de 2026, o tabuleiro eleitoral começou a se movimentar muito antes: com pouco mais de um ano de antecedência, pré-candidaturas foram lançadas, pesquisas de opinião mostraram favoritos e as articulações nos bastidores se intensificaram.
Governo: vantagem folgada de Rafael Fonteles
O governador Rafael Fonteles (PT), eleito em 2022 com apoio do então governador Wellington Dias e de Lula, pretende disputar a reeleição.
Pesquisas recentes apontam que ele entra na corrida com ampla vantagem. Levantamento do Instituto Real Time Big Data feito entre 27 e 29 de setembro de 2025 mostrou o petista com 63 % das intenções de voto, contra 28 % do senador Ciro Nogueira (PP) no cenário em que ambos são testados.
Em outras simulações, Fonteles supera Margarete Coelho (PP) e Mainha (PL) com mais de 60 %. A pesquisa também apurou o nível de aprovação do governo: 80 % dos entrevistados disseram aprovar a gestão, e 61% a classificaram como “boa” ou “ótima”; apenas 16% consideraram a administração ruim ou péssima.
Outro levantamento, do Instituto GP1 (divulgado em 12 de junho de 2025), atribuiu 60,50 % das intenções a Fonteles, muito à frente de Margarete Coelho (6,42 %) e Mainha (5,50 %).
Ao eliminar indecisos, votos nulos e brancos, o petista chega a 83,54 % dos votos válidos. Na sondagem espontânea,quando os entrevistados dizem o primeiro nome que lhes vem à mente, Rafael ainda lidera (25,83 %), enquanto outros nomes aparecem com menos de 1 %. A popularidade se ampara em resultados administrativos.
Pesquisas internas do governo mostram avaliação positiva do programa de digitalização dos serviços (Piauí Saúde Digital), investimentos em infraestrutura rodoviária e parcerias para instalar fábricas de fibra óptica e de hidrogênio verde. O Palácio de Karnak (sede do Executivo) trabalha para transformar esses números em votos.
Vice‑governadoria indefinida
O PT pretende formar uma chapa pura e de indicar o vice. Nomes citados incluem o secretário de Educação Washington Bandeira; o secretário de Segurança Pública e ex-presidente da OAB-PI, Chico Lucas; e o médico Vinícius Dias, filho do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias.
Bandeira desponta como favorito; reportagens destacam que, em agosto de 2025, dirigentes petistas o aplaudiram como “vice ideal” devido à eficiência e carisma. O anúncio oficial deve ocorrer somente em 2026.
Oposição fragmentada: Margarete, Mainha, Toni Rodrigues e o “coringa” Joel Rodrigues
Margarete Coelho
O principal nome da oposição é a ex‑vice‑governadora Margarete Coelho. Filiada ao Progressistas (PP), ela confirmou em fevereiro de 2025 sua pré‑candidatura ao governo.
Na época, disse que pretendia construir uma candidatura unida e visitou sua cidade natal, São Raimundo Nonato, para iniciar articulações. Durante o evento de filiação de João Vicente Claudino (JVC) aos Progressistas em setembro de 2025, Margarete esclareceu que apenas um nome disputaria o governo e que esse posto era dela.
Para o Senado, contudo, há duas vagas; ela adiantou que os oposicionistas podem lançar Ciro Nogueira e o próprio JVC. Em entrevistas, a ex-deputada tem criticado as pesquisas que dão mais de 80 % de aprovação a Rafael Fonteles, dizendo que esses números se confundem com propaganda oficial e não refletem “a realidade de um Piauí com altos índices de violência e analfabetismo”.
Mainha (José Maia Filho) e Toni Rodrigues
O ex‑deputado José Maia Filho (“Mainha”), que foi aliado de Rafael Fonteles e chegou a ocupar cargo de superintendente na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, filiou‑se ao PL e anunciou pré‑candidatura ao governo.
Em entrevista publicada em julho de 2025, ele afirmou que foi “anulado” na gestão petista, criticando o governador por priorizar um pequeno grupo de pessoas que estaria “ficando bilionário”. A vida interna do PL, contudo, tornou‑se turbulenta. Em 15 de setembro de 2025 Mainha deixou o partido para evitar disputa interna e declarou que buscaria outra sigla, mantendo a pré‑candidatura.
Poucos dias depois, a executiva do PL anunciou oficialmente o jornalista e radialista Toni Rodrigues como pré‑candidato ao governo e informou que Mainha havia desistido. A legenda justificou a escolha argumentando que Toni tem maior aderência nas redes sociais e perfil bolsonarista, além de ser mais identificável ao eleitorado conservador.
O “coringa” Joel Rodrigues e a eventual troca de candidato
A pré‑candidatura de Margarete não é consenso no Progressistas. Parte do partido aposta em Joel Rodrigues, ex‑prefeito de Floriano e presidente estadual da sigla.
Reportagens de bastidores revelam que líderes de direita o consideram mais popular do que Margarete e,caso as pesquisas não melhorem, ele poderia substituí‑la. Joel costuma se definir como “coringa do partido”: ele reafirma que será primeiro suplente do senador Ciro Nogueira, mas admite que pode ocupar outras posições se a legenda assim decidir. No final de setembro, durante entrevista, afirmou que está à disposição caso “haja alguma mudança”. A agenda do dirigente reforça especulações.
Em setembro de 2025 ele percorreu o interior do estado – participando da Festa do Vaqueiro em Santa Cruz dos Milagres, inaugurando o Centro Administrativo de Uruçuí e encerrando as atividades em Floriano – e suas aparições ao lado de prefeitos e vereadores aqueceram rumores sobre uma possível candidatura. Seus apoiadores dizem que ele seria o único capaz de enfrentar Rafael Fonteles de forma competitiva.
Senado: favoritos do governo e divisão entre bolsonaristas
Duas vagas ao Senado estarão em disputa. A base governista lançou uma chapa casada que tenta reproduzir o sucesso de 2022: o senador Marcelo Castro (MDB) disputará a reeleição e o deputado federal Júlio César (PSD) será o segundo nome. Em junho de 2025, durante reunião com a bancada federal, Rafael Fonteles sacramentou esse arranjo e garantiu que o vice da chapa de governador será indicado pelo PT.
Júlio César (PSD)
Júlio César anunciou sua pré‑candidatura em julho de 2025.
Em entrevista à Band Piauí ele declarou que sua participação na chapa é decisão “prego batido, ponta virada” e que a oficialização ocorreria em 11 de julho com a presença do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
Em evento do partido, Júlio afirmou que o PSD estará ao lado de Rafael Fonteles novamente porque o governador reconhece a importância dos aliados; em outro portal, ele reforçou que a convenção do partido debateria pré‑candidaturas de governador e senador e que apoiaria também a reeleição de Marcelo Castro.
Marcelo Castro (MDB)
Marcelo Castro (MDB)O senador Marcelo Castro (MDB) é figura tradicional da política piauiense e conta com apoios de Lula e Rafael Fonteles.
Diversas pesquisas o colocam na liderança. Levantamento do Real Time Big Data com 1 200 entrevistas indicou Marcelo com 28 %, Júlio César 21 %, Ciro Nogueira 18 % e Tiago Junqueira 9 %.
No segundo cenário, substituindo Ciro por Joel Rodrigues, Marcelo sobe para 33 % e Júlio César para 23 %, enquanto Tiago Junqueira fica com 10 % e Joel com 7 %. Pesquisas encomendadas pelo Sistema Meio Norte e realizadas pelo Instituto Datamax entre 2 e 5 de setembro mostram resultados ainda mais favoráveis: com apoios explicitados, Marcelo Castro tem 39,83 % dos votos válidos e Júlio César 29,90 %, contra 26,72 % de Ciro Nogueira e 3,55 % de Tiago Junqueira.
Em um segundo cenário com Joel Rodrigues no lugar de Ciro, Marcelo atinge 47,83 %, Júlio 36,27 %, Joel 11,27 % e Tiago 4,62 %. A pesquisa ressalta que foram entrevistados mil eleitores em 53 municípios com margem de erro de 3,09 pontos.
Outro levantamento do Instituto Amostragem (agosto de 2025) avaliou o peso dos apoios: quando as candidaturas de Marcelo Castro e Júlio César são apresentadas como apoiadas por Lula e Rafael, eles alcançam 63,43 % e 57,01 %, respectivamente, enquanto Ciro Nogueira fica com 29,67 % e Tiago Junqueira 10,51 %. Substituindo Ciro por Joel Rodrigues, Marcelo sobe para 69,32 % e Júlio para 63,98 %, enquanto Joel aparece com 16,77 % e Tiago com 11,80 %.
Esses números mostram que o apoio de Lula e Fonteles pesa muito no eleitorado e que a base bolsonarista está dividida.
Ciro Nogueira (Progressistas)
O senador Ciro Nogueira (Progressistas), ex‑ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, tentará a reeleição, mas aparece atrás nas pesquisas.
Por isso, tem defendido a união da direita. Em declarações públicas, alertou que a falta de bom senso e de união entre os conservadores pode levar à derrota em 2026. A estratégia da oposição prevê dobradinha com Margarete ao governo. Ciro deverá ter como primeiro suplente Joel Rodrigues; o Progressistas ainda discutem o segundo suplente e buscam atrair o empresário João Vicente Claudino para a chapa.
Tiago Junqueira (PL)
O PL (partido de Jair Bolsonaro) aposta no empresário do agronegócio Tiago Junqueira, proprietário da Fazenda Chapada Grande, no município de Regeneração.
Em 15 de julho de 2025, Bolsonaro e Ciro Nogueira o apresentaram em Brasília como pré‑candidato ao Senado; Junqueira respondeu “missão aceita”. Ele assumiu a presidência estadual do PL em junho e diz representar uma alternativa de direita para os eleitores que não se alinham ao PT. Apesar de ser pouco conhecido, sua candidatura pode servir como palanque para Bolsonaro no Piauí.
Outros movimentos e expectativas
- João Vicente Claudino (JVC): ex‑senador e empresário, filiou‑se ao Progressistas em setembro de 2025. Margarete Coelho afirma que JVC poderá disputar o Senado e que a chapa oposicionista deve lançar Ciro Nogueira e JVC.
- Base aliada consolidada: reunião em junho de 2025 com Rafael Fonteles, Wellington Dias e outros líderes definiu que a chapa governista será composta por Fonteles (PT) para governador, um vice do PT, Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD). O primeiro suplente de Júlio deve ser indicado por Wellington Dias; para Marcelo, discute‑se oferecer a suplência ao vice‑governador Themístocles Filho, apesar de forte movimentação do atual vice em direção a uma vaga na Alepi.
- Debate sobre segurança e desenvolvimento: Mainha e Margarete têm atacado o discurso oficial de que o Piauí é o estado mais seguro do Brasil e que a economia está em pleno crescimento; eles apontam violência, estagnação econômica e baixo desempenho na educação como problemas persistentes.
O que vem pela frente?
Com um ano de antecedência, o cenário eleitoral do Piauí apresenta grande vantagem para a chapa governista, mas muitas variáveis seguem abertas.
A oposição ainda precisa definir se manterá Margarete Coelho ou se cederá à pressão por um nome mais competitivo como Joel Rodrigues.
O PL tenta se firmar como alternativa bolsonarista tanto no governo (com Toni Rodrigues) quanto no Senado (com Tiago Junqueira), mas enfrenta divisões internas.
O lançamento oficial das candidaturas ocorrerá apenas no ano eleitoral, e as alianças podem mudar com a formação de chapas proporcionais.
Deputados federais e estaduais ainda estão em processo de negociação; os principais partidos fazem cálculos sobre quocientes eleitorais e possíveis federações.
Faltando doze meses para a votação, o que parece certo é que Rafael Fonteles e sua coalizão iniciam a campanha com ampla vantagem, enquanto a oposição tenta encontrar um discurso e um formato que unifique a direita.
As decisões sobre vice‑governador, suplências ao Senado e chapas proporcionais devem animar o debate nos próximos meses.