Um dos medicamentos mais conhecidos e utilizados pelos brasileiros para o controle da ansiedade e distúrbios do sono, o Rivotril, não está mais sendo comercializado em sua versão original pela farmacêutica Roche no Brasil. A decisão, baseada em estratégias de mercado, marca o fim de uma era para o remédio de referência, embora a substância ativa continue no mercado.
Motivação Comercial
De acordo com especialistas, a saída da marca original se deu por uma questão puramente comercial. Com a popularização dos medicamentos genéricos e similares, que possuem um custo de produção e venda muito menor, a comercialização do Rivotril pela Roche deixou de ser lucrativa para a empresa. A farmacêutica optou por focar seus investimentos em áreas como oncologia, imunobiologia e biotecnologia, que oferecem maior rentabilidade.
O que muda para o paciente?
É importante destacar que a substância clonazepam não desapareceu. Pacientes que utilizam a medicação ainda podem encontrá-la em farmácias sob a forma de genéricos produzidos por diversos laboratórios.
No entanto, uma perda significativa apontada por médicos é a descontinuação da apresentação sublingual do Rivotril. Esses pequenos comprimidos eram amplamente utilizados como medicação de "resgate" em crises agudas de pânico, devido à sua rápida absorção pelo organismo. Atualmente, não há um substituto direto na mesma forma farmacêutica, sendo necessário o uso do clonazepam em gotas para situações de emergência, embora a experiência clínica com essa alternativa ainda esteja sendo avaliada por profissionais da saúde.
Efeito Psicológico
Embora os genéricos devam possuir a mesma eficácia do medicamento de referência, muitos pacientes relatam diferenças no efeito. Médicos sugerem que isso pode ter um componente psicológico, já que muitos usuários estavam habituados à marca original há décadas. A recomendação é que qualquer alteração no tratamento seja discutida diretamente com o médico assistente.