Viver perto de amigos, compartilhar áreas comuns e, ao mesmo tempo, manter a própria casa. Esse é o princípio do cohousing, modelo de moradia coletiva que já é consolidado na Europa e nos Estados Unidos e começa, aos poucos, a despertar o interesse dos brasileiros.
A proposta combina residências individuais com espaços de convivência compartilhados, como cozinhas, salas, áreas de lazer e jardins, pensados para estimular a interação entre vizinhos e fortalecer laços comunitários. O conceito foi sistematizado pelo arquiteto norte-americano Charles “Chuck” Durrett, na década de 1980, após estudos na Dinamarca, país referência nesse tipo de organização habitacional.
No Brasil, o modelo ganha força em meio ao acelerado envelhecimento da população. Hoje, cerca de 33 milhões de brasileiros têm 60 anos ou mais, enquanto a taxa de fecundidade segue em queda. Embora seja multigeracional, o cohousing tornou-se especialmente atrativo para pessoas da terceira idade que buscam autonomia, segurança e convivência ativa.
O projeto ocupa uma área rural cercada pela Mata Atlântica e prevê a construção de 18 casas, além de uma ampla casa comum com piscina, espaços de convivência, área de bem-estar e lazer. A iniciativa é administrada por uma associação formada pelos próprios moradores, criada em 2021.
Diferentemente de um condomínio tradicional, os participantes adquirem cotas patrimoniais, que garantem o direito de uso das residências e das áreas comuns. Os valores variam entre R$ 700 mil e R$ 900 mil. As decisões coletivas seguem o modelo da sociocracia, no qual todos os moradores participam dos processos, com base no diálogo e no consentimento.
Mais do que um novo formato imobiliário, o cohousing se apresenta como uma resposta contemporânea ao desejo por qualidade de vida, pertencimento e relações mais próximas, uma tendência que começa a encontrar terreno fértil no país.