Brilhando
Safira Bengell, pedra preciosa da cultura piauiense, segue em expansão com a obra que registra 50 anos de atividade artística. Em temporada no Rio de Janeiro, cumpriu agenda nos principais locais de circulação de personalidades e artistas. Acabou de pedir mais uma impressão, com tiragem de mil exemplares, que ela vende em tardes e noites concorridas de autógrafos. Assim, vai aquilatando ainda mais o brilho que ilumina a nossa estrela no mapa. La Bengell nos põe em destaque por onde passa, como Embaixadora do Fórum de Artistas do Piauí.
CNR
Quem adquiriu suas entradas para a noite de amanhã, no Circuito Nacional de Reggae, chegou a hora de receber os ingressos. Hoje, a partir de 14h, no local do evento, os tickets serão repassados. Teresina está na expectativa de Alboroise e os maiores nomes do reggae nacional e piauiense. A confraria do ritmo que reúne consciência, resistência, consistência artística, discurso e mensagens que tocam em pontos que precisam de reflexão, estará concentrada na Central de Artesanato.
SECA
Vivemos numa clima semiárido, com baixa amplitude térmica, altas temperaturas, chuvas escassas e longos períodos de estiagem. Com as mudanças climáticas, a minha visão de um leigo observador, aponta para o agravamento da sensação de secura. Sinto o impacto na pele, literalmente, quando exposto aos raios solares da tarde. A desidratação é rápida. Por isso, sabiamente, o piauiense anda com sua água. Pronto para repor o suor que escorre pela têmpora até mesmo na sombra.
Cíclica
A seca é um fenômeno cíclico, que agrava a situação no período de estiagem. A cada 100 anos, parece vir com uma intensidade carregada das características extremas. A Seca de 1915 foi tão violenta que virou romance aclamado da cearense Rachel de Queiroz, que depois virou filme. É o que estamos passando no momento. Segundo o Diário Oficial do Estado, 125 municípios piauienses procuraram abrigo no decreto de emergência até o último dia 17 de novembro. É mais da metade das cidades do Piauí em busca da mitigação governamental.
Alerta
O que sempre foi complicado, agora ganha outros elementos que tornam a convivência do sertanejo com o semiárido ainda mais desafiadora. Se era quente, está mais quente. Se era seco, está mais seco. O prolongamento do tempo de estio tem deixado comunidades vulneráveis, sem água para as atividades do campo, dos animais e o uso próprio. O básico. O de beber está em risco. As técnicas empregadas para aproveitamento e armazenamento da água da chuva não sãos mais suficientes. No cristalino do semiárido, região de maior secura, é inóspito. Qualquer tipo de vida está em sério risco.
Poderosa
Mas a resistente massa vegetal da Caatinga consegue passar incólume, encolhida em sua latência. Mais morta do que viva. A mata branca finge ser apenas uns garranchos até as gotas baterem em seus talos secos. Em três dias, um milagre. O galho, que parecia esturricado pelo sol inclemente do sertão, veste um verbe exuberante. Vibrante. Magnético. Um frescor pelo ar dá sinal que a oferta de oxigênio renovou. O giro da chave despertado pela chuva muda o cenário completamente.
Trunfo
A estratégia biológica de sobrevivência da Caatinga recorre às suas raízes profundas, que armazenam a água preciosa para o período mais seco. Com o metabolismo reduzido a quase zero, o mecanismo aguarda a primeira gotícula para despertar e desencadear um processo predador de carbono. O bioma capta 60% do CO² do Brasil com apenas 11% da cobertura vegetal do território. Estamos numa região potente e promissora dos melhores negócios de um portal que se abre: a bioeconomia.
Ativo
O mundo pauta-se pelos indicativos políticos ambientais sustentáveis. É o ponto de partida a permear a transversalidade das relações entre os mais diversos indicadores. Sociais, econômicos e culturais, principalmente. O governador Rafael Fonteles, entusiasta das inovações e novas tecnologias, acertou ao focar em preparar o estado para um futuro que já é presente. O Piauí tem cerca de 30% de seu território coberto pela Caatinga nativa, intocada.
Investimento
Durante a COP30, o governador anunciou, representando o Consórcio Nordeste, a celebração de parceria com o BNDES e o BNB, no valor de R$ 100 milhões, visando o reflorestamento de áreas degradas, com a mata nativa. A manutenção e conservação completam o ciclo de preservação que o Piauí e demais estados vão trabalhar para serem ainda mais valiosos nas ofertas de crédito de carbono, que os países ricos vão ter que pagar aos países que mantém as “baterias” e os “pulmões” do mundo. O contrato pode dobrar, chegando a R$ 200 milhões.
Oportunidade
O Estado do Piauí e o Nordeste estão conectados com o novo tempo em que é preciso estar atento às oportunidades. Investir em preservar a Caatinga é um negócio rentável no novo mercado de ações do futuro. Só que são ações diferentes da Bolsa de Valores. São ações práticas. Quem atua para manter as florestas em pé, inclusive e principalmente o único bioma 100% nacional, vai receber por isso de forma perene. Uma compensação dos que agiram na degradação, que devem custear quem age para manter e preservar. De olho nisso, Fonteles age pragmaticamente, preparando o terreno para o NE e o PI serem protagonistas dos novos tempos.