Dia
Nacional do Cego e Dia do Ótico por causa de Santa Luzia, celebrada hoje. A santa de Siracusa, é desde o início dos anos 300 a grande referência da visão. Em seu suplício, teve os olhos arrancados no processo de punição pública por não querer casar-se com o prometido. Luzia, cristã, desposara a Cristo, a quem prometera em voto a sua castidade e fidelidade. Além da visão física, a santa protetora também é conhecida por despertar a visão espiritual. Essa enxerga mais longe.
Exu
A cidade pernambucana que pariu Luiz Gonzaga faz um grande festejo para reverenciar o Rei do Baião. Luiz por causa da santa Luzia, que também tinha problemas nos olhos. Chegando a perder a visão direita em um acidente, em 1961. Com o esquerdo, lutava contra a recorrente catarata. Por causa de Gonzaga, também hoje celebra-se o Dia do Forró. O mix de ritmos que canalizam nossa identidade mais raiz. Do coco, do maxixe e do baião, as fontes que alimentam o bom e velho forrozão.
Eleição
Foi divulgado ontem o resultado do pleito mais disputado da história do Conselho Estadual de Cultura. E poderia ser maior. As PJs não se atentaram e não se habilitaram para votar no certame. Mesmo assim, quase 100 entidades que militam no circuito cultural entraram na urna de votação. Este ano, 12 pessoas representaram entidades de variados segmentos. De organizações quilombolas, pontos de cultura a grupos artísticos, dezenas votaram e foram votadas.
Resultado
Sem nenhuma surpresa, os representantes mais ligados a gestão tiveram a votação mais expressiva. Uma enxurrada. Todos acima de 50 votos. E os concorrentes de 9 sufrágios para baixo. Um indicativo de voto casado, que a sistemática favorece. Cada entidade vota em 3, assim, os conchavos vão determinar o resultado da eleição, confirmando a orientação política que vem de fora. O capital partidário fala alto, o alinhamento com a Secult também. E, principalmente, as bênçãos do deputado Fábio Novo (PT).
Máquina
No grupo de zap Cada Louco É Um Exército, onde os debates mais profundos e interessantes sobre a cena artístico-cultural acontecem, os comentários sobre a eleição davam o sinal da leitura da corrente opositora. “A força da máquina pública. Uma lástima!”, afirmou Aci Campelo. Outros afirmavam que os eleitos e o suplente são aquinhoados com cargos em comissão. Mais ou menos. De uma forma ou de outra, todos estão relacionados a fontes de verbas públicas e conduzem a maioria dos projetos que passam no SIEC e outros editais?
Compressor
A quantidade de votos mostra como o conselheiro reeleito Jone Clay, o fiel da balança, desempenhou sua articulação com as entidades do setor. À frente do Comitê de Cultura, braço político importante do Ministério da Cultura, que lança R$ 2 milhões de reais em realização de projetos juntos as entidades. Lógico que elas vão atender ao chamado eleitoral. No mínimo, a gratidão. Macedo protagonizou o processo e conduziu com ele quem se alinhou.
Surpresa
A grande curiosidade, analiticamente falando, foi a derrota do coordenador do programa Cultura Viva, Roberto Sabóia. Com um perfil sempre discreto, foi uma surpresa ver o seu nome figurando na lista dos candidatos. Se o tímido lançou-se, estava certo de boas venturas nas urnas com as dezenas de entidades ligadas ao movimento quilombola. Era um candidato forte. O concorrente ficou com a suplência. Sendo o conselheiro reeleito, Jone, fechando com 58 votos. João Vasconcelos, reconduzido, 53 votos. E Antonia Aguiar, que estreia no CEC, 51.
Previsão
Para concluir os ocupantes dos 9 assentos, faltam as indicações da Assembleia Legislativa, que o com menos mandato já retornou três vezes. E do Governo do Estado, mais três. Sobre os quais o deputado Fábio Novo também exerce influência para indicar os que conectam-se à sua estratégia. No triênio 2026/2028, o conselho vai sofrer a mudança que os artistas querem. Preveem os analistas. É insuportável o barulho que vem dos insatisfeitos. Estão dispostos a deixar bem clara a sua indignação. Vai ser um mandato tumultuado.
Desvio
Embora o CEC não tenha o poder de representação nem da sociedade civil nem do poder público, serve como enfeite caro da administração pública. Nada justifica a continuidade de um modelo que não colabora efetivamente na elaboração, aplicação e fiscalização das políticas públicas. As receitas precisam de mais transparência em seu processo de divisão com artistas e produtores. A sistemática de editais ainda não alcança a ponta. Ficando a maior parte com quem sabe fazer projeto, mas não sabe fazer arte.
Arte fake
A precarização vai ganhando corpo, desabastecendo o mercado de criadores que tem obras consistentes. Nem sempre tem quem os produza. Quem faça seus projetos. Quem desenvolva a estratégia de comunicação. Falta até quem escreva um release para divulgar as ações. Entretanto, os melhores projetos vão parar nas gavetas. E o ativismo fala mais alto, mostrando o alinhamento político que segrega e enfraquece um movimento de avanço de nossos artistas. O resultado é a fuga de plateia. O enriquecimento de eminências pardas. E a perpetuação de um modelo de gestão focado em obras e esquecido da pessoa que faz tudo virar movimento, o artista.