Dia
Da Mulher Advogada é celebrado no aniversário de Myrthes Gomes de Campos, que formou-se em Direito em 1898, atuou no Rio de Janeiro. Juntamente com a colega paulista, Maria Augusta Saraiva, também formada no mesmo ano, foram as pioneiras. Abriram alas para a atuação protagonizada pelas mulheres. Ambas colecionam primeiros lugares e a empunhadura de bandeiras de lutas em defesa pela garantia da participação feminina em muitos postos antes exclusivos dos homens.
Também
Dia do Arquiteto e Urbanista. Menção direta ao aniversário de Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho. Um dos gênios mundiais da profissão. Brasília é parte de um portfólio riquíssimo de traços e estilo inconfundíveis a céu aberto. É aniversário também de Francisco Alves Mendes Filho, o Chico Mendes. Ecologista que defendeu a floresta e pagou com a vida, em Xapuri, no Acre. Por ele, nasceu o Dia Nacional da Economia Solidária, que nada mais é que a equidade nas relações comerciais. E por último, Dia do(a) Jardineiro(a). Que floresçam cada vez mais.
APL
A Academia Piauiense de Letras elegeu na manhã do último sábado, 14, o historiador, Antônio Fonseca dos Santos Neto, como novo presidente para o próximo biênio. Com origem em família maranhense e distante da aristocracia piauiense, é apresentado como ponte importante de aproximação com camadas mais populares da Cultura. É visível o esforço, mas a APL mantém-se distante, num pedestal, ensimesmada. Fonseca é um futuro possível de encontros e convergência.
Mapa
A realidade das relações de trabalho no meio cultural, em números, mostra bem mais que o olhar cartesiano pode ver. Entre todos os estados da federação, incluindo o Distrito Federal, o Piauí ficou em penúltimo lugar, na frente apenas do Amapá, no salário mínimo mensal, na pesquisa sobre os Trabalhadores da Cultura. Segundo o SIIC – Sistema de Informações e Indicadores Culturais, que fornece os dados, o operário da cultura piauiense embolsa R$ 1.870,95, em média. Média bem baixa.
Equânime
Meu olhar, que percebe e acompanha também os marginalizados, compreende que eles não foram alcançados. Se fossem, os números poderiam puxar indicadores ainda menos favoráveis. O que nos faz pensar na distribuição dos recursos que circulam. A maior parte é de origem pública. Até quando vem da iniciativa privada, é das leis que fomentam via renúncia fiscal. Ainda é o estado estimulando a aplicação de recursos que iriam ser tributados para investimento direto no segmento cultural.
Ilusão
Muitos artistas vivem sem renda nenhuma. Depois de muita luta, o tempo passa a todos. Alguns não conseguem ser tão prósperos. Aliás, eis uma grande ilusão. Poucos artistas conseguem ter uma vida realmente rica. Muitos nascem e morrem no anonimato. Outros só aparecem depois que se vão. Como van Gogh. O sucesso e o fracasso são igualmente impostores aos artistas. Ambos podem levar a caminhos que vão dar em lugar nenhum. A arte e o artista vivem um caso de sedução, amor, paixão e mistério.
Graduação
Nosso mercado padece de falta de qualificação. O não investimento na instalação de cursos de graduação superior no campo das artes, isola o Piauí do restante do país. Quem quiser ter seu diploma de Artes Cênicas, tem que mudar de estado. Da mesma forma no Cinema. Apenas Artes Visuais e Música são contempladas. Os que trabalham com as demais linguagens conquistam seus espaços por talento inato, com formação autodidata. Cursos de dança, teatro e música são ofertados somente em nível médio e técnico.
Distorção
As peregrinações de comissões de artistas pelas reitorias guardam lembranças em fotos. Entre sorrisos, muitas promessas de abertura para um futuro próximo. É uma condição cabal para o avanço das artes no Piauí. As distorções estão a olhos vistos. É um cenário negativo. As profissões de ator, atriz e demais relacionadas ao tablado, precisam da dignidade de acesso ao conhecimento em escala superior. Creio que isso é um elemento importante para refletir o quanto pode apequenar a dimensão e a estrutura de nosso núcleo social.
SIEC
Outro elemento que concorre à precarização do cenário artístico-cultural, economicamente falando. O fomento oriundo do Sistema de Incentivo Estadual à Cultura parte da seguinte filosofia da gestão: “É uma ajuda”. Os projetos nunca são atendidos em sua totalidade. Ninguém sabe por quais critérios, mas os valores são minimizados. Alguns chegam a menos de 20%. Sem verba, com as mãos na cabeça para realizar o projeto, submetem-se ao contingenciamento.
Frágil
Na mesa de cortes, os profissionais são os mais atingidos. No caso do teatro, figurinos, adereços e cenários são retalhados, desfigurados ou até mesmo eliminados. Depois, os cachês dos artistas vêm abaixo. Iluminadores, sonoplastas, contraregras, cenógrafos, diretores, atores e atrizes vão ganhando cada vez menos. É assim que linguagens vão enfraquecendo e profissões desaparecendo. Sem poder levantar montagens robustas, fazem o que podem. A plateia, que não tem nada a ver com isso, quer beleza, quer luxo, quer vigor e energia. Se não tem, não tem plateia. Não tem aplauso. Tema que vamos esmiuçar futuramente.