Calendários pessoais, promocionais do prefeito de Parnaíba, podem ter sido pagos com dinheiro público

Calendários distribuídos à população mais humilde da cidade podem ter sido confeccionados por gráfica contratada pela prefeitura.

O prefeito de uma cidade litorânea do Nordeste, um calendário 2026 com promoção pessoal do tal prefeito, uma “gráfica” com dois contratos com a prefeitura da qual o prefeito é o gestor  e um acidente com um veículo de propriedade do dono da tal “gráfica”, lotado com os tais calendários do prefeito.

 Calendários pessoais, promocionais do prefeito de Parnaíba, podem ter sido pagos com dinheiro público - Foto: Reprodução   

O dono do veículo, agraciado com os contratos, evadiu-se do local do acidente, mas deixou o rastro da corrupção dentro do veículo.

Parece roteiro de filme ou novela, não é?

Mas é um caso real e aconteceu na cidade de Parnaíba, a segunda maior cidade do Piauí, mas a primeira colocada na sequência de escândalos com dinheiro público, ao longo de 2025.

Vamos agora aos fatos, dando os nomes aos protagonistas.

Na noite do último domingo (28), uma guarnição de trânsito foi acionada para atender a um acidente envolvendo dois veículos na Avenida Chagas Rodrigues, uma das mais movimentadas de Parnaíba.

O condutor, que teria causado a colisão, fugiu do local, deixando o carro para trás.

Além do acidente, outro fato que chamou atenção da guarnição  foi o grande volume de calendários, do ano de 2026, com foto, nome e frases bíblicas do atual prefeito de Parnaíba, Francisco Emanuel. O automóvel pertence a Guilherme A. de Carvalho, empresário que possui contratos com a Prefeitura de Parnaíba.

A empresa, localizada no centro da cidade de Parnaíba,  é conhecida como “Gráfica Rápida”, mas os  contratos que mantém com a prefeitura de Parnaíba são para fornecimento de material e equipamentos de informática (Processo Administrativo nº 22755/2025) e material de limpeza (Processo Administrativo nº 231/2025), portanto, nada de material gráfico, de expediente ou similar.

O veículo de Guilherme  foi recolhido ao pátio do Detran como medida administrativa. Mesmo após o ocorrido, o material publicitário foi visto sendo distribuído pelo próprio prefeito e seus assessores mais próximos (vide fotos) no dia seguinte ao acidente, segunda-feira (29).

O episódio, carregado de suspeições, chama a atenção pelo enredo que o envolve, deixando claro que o material que vem sendo distribuído em larga quantidade pelo prefeito Francisco Emanuel por toda a cidade de Parnaíba, num claro exercício de autopromoção, ao tempo em que abandona o princípio da impessoalidade da gestão, pode ter sido pago com dinheiro público, o que caracteriza grave crime de improbidade administrativa, com sanções como perda da função, suspensão dos direitos políticos e ressarcimento ao erário, além de poder gerar sanções eleitorais (cassação, multa) e, em casos graves, como é o caso, a responsabilização por crimes contra a Administração Pública (como peculato ou prevaricação, dependendo da conduta específica), sem prejuízo de crimes de responsabilidade e desobediência.

Diante de fatos tão concretos, interligados e correlacionados, envolvendo agente público e empresa contratada pelo órgão dirigido por esse agente, a cidade de Parnaíba está, novamente, com seu nome envolvido em um escândalo, fato que se tornou corriqueiro ao longo de todo o ano de 2025, culminando com denúncias formais aos órgãos de controle, ao Ministério Público e até à Polícia Federal.

Este, certamente, é mais um que vem para selar 2025 como o ano dos escândalos na bela cidade litorânea.

As provas de que vários calendários estavam no carro envolvido em acidente, que pertence a Guilherme, estão na descrição de pertences e demais objetos constantes no veículo, ao tempo em que o mesmo foi rebocado ao pátio do Detran.

Caso busquem negar o fato, os agentes deverão ser chamados a testemunho e o documento descritivo, com a assinatura dos mesmos, será anexado à diligência.