Delegados detalham avanços da "Macondo 2" e expõem rede de agiotagem em Teresina

Operação Macondo 2 é um desdobramento da Macondo 1, deflagrada pela SSP-PI, em 11 de novembro, que resultou na prisão de 15 colombianos e venezuelanos, além do bloqueio de R$ 5 milhões.

Em coletiva à imprensa na manhã desta quinta-feira (11), o superintendente de Operações Integradas (SOI) da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), Matheus Zanatta e o delegado Roni Silveira detalham a segunda fase da “Operação Macondo”, ação que cumpriu medidas judiciais contra indivíduos investigados por integrarem um esquema de agiotagem, associado à lavagem de dinheiro e crimes correlatos.

 Delegados detalham avanços da Macondo 2 e expõem rede de agiotagem em Teresina. Foto: TV Lupa1   

Em Teresina, foram cumpridos 02 mandados de prisão e 02 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de R$ 5 milhões nas contas dos investigados, conforme decisão expedida pelo Poder Judiciário.

A operação Macondo 2 é um desdobramento da operação Macondo 1, deflagrada pela SSP-PI, em 11 de novembro,  que resultou na prisão de 15 colombianos e venezuelanos, além do bloqueio de R$ 5 milhões das contas dos investigados. Os relatórios de inteligência financeira apontaram indícios de lavagem de dinheiro, incluindo o uso de contas de terceiros para ocultação e dissimulação de valores ilícitos.

“Hoje nós prendemos um casal que era responsável e estava numa função acima desses estrangeiros que foram presos na última operação Macondo 1. Inclusive, durante as buscas e apreensões na casa do casal, o investigado tentou dispensar esse celular pela janela do banheiro, a equipe foi rápido e conseguiu fazer a apreensão desse celular”, destacou o delegado Zanatta. 

 Casal preso na segunda fase da “Operação Macondo” no Piauí. Foto: Divulgação/SSP-PI   

Ainda segundo o delegado Matheus, nenhum dos investigados possui emprego formal ou renda declarada, mas todos mantinham um padrão de vida elevado. A operação desta quinta-feira resultou na apreensão de veículos e um iPhone de última geração com um dos suspeitos.

“Com os investigados de hoje, nós conseguimos aprender um carro e duas motocicletas novas. Inclusive, com um dos investigados, nós aprendemos um iPhone de última geração”, informou. 

Esquema

O grupo atraía vítimas com cartazes espalhados principalmente no Centro de Teresina, oferecendo crédito fácil. O dinheiro era liberado imediatamente, sem contrato, mas com juros abusivos que ultrapassavam 30% ao mês. 

De acordo com a polícia, os empréstimos iniciavam a partir de R$ 200 e eram cobrados diariamente, em valores fragmentados, induzindo as vítimas a acreditar na facilidade de pagamento, justamente pela fragmentariedade das parcelas. 

“Então uma vez que a pessoa é iludida pela facilidade das parcelas, apesar do juros evidentemente altos, uma vez iludida a pessoa começava a se endividar quando se deparava com a realidade do empréstimo, aquela bola de neve, chamemos assim, então uma vez endividada começavam os métodos coercitivos de cobrança”, explicou o delegado Roni.

 Delegado Roni Silveira. Foto: TV Lupa1   

As investigações revelaram que o grupo atua no Estado há cerca de seis anos e opera como uma espécie de franquia: cada integrante estrangeiro é responsável por uma área específica de concessão de empréstimos, contando com equipes próprias para emprestar dinheiro, cobrar e arrecadar os valores.

 Imagens da Operação Macondo. Foto: Divulgação/SSP-PI   

“O que nós levantamos até agora é que eles estão há seis anos no Piauí, trabalhando com essa prática da agiotagem, juros abusivos. Quando o comerciante não paga esses juros, eles começam a ameaçar, a causar violência psicológica e física, também fazer a subtração de objetos desse devedor, justamente para garantir o pagamento dos juros e do valor emprestado”, explicou o delegado Zanatta. 

A polícia aponta que o grupo praticava ameaças, perseguições, intimidação psicológica e destruição de mercadorias e até  sequestro informal de objetos. Há relatos de desaparecimentos e até suicídios relacionados à pressão imposta pelos agiotas.

“Então todo esse contexto, todo esse contexto deixa muito evidente que as práticas dele não eram de simples cobrança de valores, não, eram cobranças coercitivas, cobranças que deixavam muito evidente a possibilidade da vítima ser submetida a ambiência de violência, tanto que a pressão sobre uma das vítimas em Teresina foi tão grande que gerou, inclusive, um ambiente de suicídio”, finalizou o delegado Rony Silveria.