O Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) apreendeu, nesta quinta-feira (18), um adolescente de 17 anos, identificado pelas iniciais P. E. P. da S., conhecido como “Pecinha”. O jovem é apontado como integrante da facção criminosa Bonde dos 40 e investigado por envolvimento em pelo menos cinco homicídios registrados em Teresina, entre eles a morte do sargento da Polícia Militar do Piauí, Jurandir Pereira de Oliveira.
Os homicídios atribuídos ao adolescente ocorreram em diferentes períodos, com registros desde 2023, na região do bairro Manoel Evangelista, passando por ocorrências em 2024 e chegando a crimes registrados em 2025.
Os homicídios atribuídos ao adolescente ocorreram entre 2023 e 2025, com registros iniciais no bairro Manoel Evangelista. A Polícia Civil aponta que a atuação dele se concentrava na zona Sudeste da capital, onde era acionado para executar vítimas ligadas a ações da facção. Um dos casos mais graves apurados pela investigação é o latrocínio que vitimou o sargento Jurandir, ocorrido durante uma tentativa de assalto na região do Alto da Ressurreição em dezembro de 2024.
Segundo o delegado Bruno Ursulino, responsável pelas investigações, o crime contra o sargento ocorreu em um contexto de violência direta. “A gente sabe que ele tem envolvimento em diversas mortes aqui, principalmente na região Sudeste. Ele compõe uma facção criminosa e por diversas vezes era acionado justamente para tirar a vida de pessoas. Nesse caso específico, trata-se de um latrocínio de um policial militar que veio a falecer naquela região do Alto da Ressurreição, durante uma tentativa de assalto. Houve reação e, inclusive, o policial conseguiu atingir um dos indivíduos do grupo”, explicou.
A apreensão do adolescente foi autorizada pela Vara da Infância e da Juventude. Conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente, ele ficará inicialmente internado por até três anos, com reavaliações periódicas definidas pela Justiça, podendo haver mudanças na medida conforme o andamento do caso e o comportamento do investigado.
Durante os interrogatórios, segundo a Polícia Civil, o adolescente confessou participação em todos os homicídios atribuídos a ele ao longo das investigações. “Não só o trabalho investigativo aponta o envolvimento dele, como ele confessa participação em todos os crimes. Em alguns casos, afirma que forneceu o veículo utilizado, roubado dias antes, já sabendo que seria usado para matar pessoas. Em outras situações, ele integrava diretamente o grupo e efetuava os disparos”, afirmou o delegado Bruno Ursulino.
O delegado destacou ainda que os relatos do adolescente apresentam compatibilidade com os elementos técnicos reunidos nos inquéritos.
“Quando a gente o questiona, ele afirma com exatidão os locais onde atingiu as vítimas. Ao confrontar essas informações com fotografias e laudos periciais, é possível verificar a verossimilhança. Ele não está apenas falando de forma aleatória, está confessando crimes dos quais efetivamente participou”, completou.
Loading...
A investigação também apurou que o adolescente sofreu recentemente uma tentativa de homicídio, atribuída a integrantes de uma facção rival. Além disso, há indícios de conflitos internos dentro do próprio grupo criminoso ao qual ele pertence, o que teria levado o jovem a se esconder e adotar uma rotina fora do padrão.
Segundo a Polícia Civil, embora ainda integre a facção, existem desavenças internas envolvendo o adolescente, que também passaram a ser alvo de investigação. Essas disputas estariam relacionadas a atitudes adotadas por ele no contexto das ações criminosas.
No momento da apreensão, o adolescente não estava em posse de arma de fogo. Ainda assim, a polícia reforça que todos os crimes atribuídos a ele foram cometidos com uso de armas, incluindo revólver calibre 38 e pistolas. As investigações apontam que, mesmo sem portar armamento no momento, ele demonstrou precisão ao relatar os disparos efetuados e as perfurações causadas nas vítimas.
A Polícia Civil avalia que a internação pode contribuir tanto para a interrupção da sequência de violência quanto para dar uma resposta às famílias das vítimas. Para o delegado Bruno, a custódia pode representar, inclusive, uma forma de proteção ao próprio adolescente.
“A gente acredita que a prisão vai acabar sendo um refúgio para ele, porque, de certa forma, ele passa a estar sob custódia do Estado. Na rua, ele estaria à mercê de ações de outras pessoas do mundo do crime”, concluiu.