A Polícia Civil do Piauí investiga as circunstâncias do atropelamento que causou a morte de Maria do Socorro Oliveira Veras, no bairro Saci, zona Sul de Teresina. O acidente aconteceu no dia 10 de maio e a motorista investigada foi indiciada por homicídio culposo na direção de veículo automotor.
Segundo o delegado Carlos César, titular da Delegacia de Crimes de Trânsito, Maria do Socorro estava deitada no asfalto no momento em que foi atingida pelo veículo. As investigações apontam que a vítima consumia bebida alcoólica desde as primeiras horas da manhã do Dia das Mães, acompanhada de outras duas pessoas, em frente a uma residência no Conjunto Saci.
O atropelamento aconteceu por volta das 14h, em uma rua do bairro. De acordo com a Polícia Civil, no momento do acidente, os outros dois homens que acompanhavam Maria do Socorro já estavam dormindo na calçada, enquanto ela permaneceu deitada no asfalto utilizando uma mochila como apoio para a cabeça.
O delegado informou que testemunhas tentaram alertar a vítima diversas vezes para que ela deixasse a pista e fosse para a calçada. “Uma das testemunhas relatou que chamou a atenção dela quatro vezes e disse que ela poderia acabar sendo atropelada”, afirmou.
Imagens analisadas pela investigação mostram que o veículo trafegava em baixa velocidade ao entrar na rua onde ocorreu o acidente. Segundo o delegado, um carro estacionado na lateral da via também deixou o espaço mais estreito.
“A rua já é estreita e ainda havia um veículo estacionado de um lado e a vítima deitada do outro. Pelas imagens, não é uma situação de excesso de velocidade”, explicou Carlos César.
Em depoimento, a motorista alegou que não percebeu que havia atropelado a vítima. Ela afirmou que acreditava ter passado apenas sobre algum obstáculo na pista e, por isso, não parou no local. Segundo o delegado, ela seguiu até a própria residência, localizada próxima ao local do acidente.
“Ela alegou que imaginou ter passado por cima de uma pedra ou algum outro objeto. As imagens mostram que ela continuou trafegando normalmente e não em uma situação de fuga”, disse o delegado.
Apesar da versão apresentada pela condutora, a Polícia Civil entendeu que houve responsabilidade da motorista. “O Código de Trânsito exige atenção e cautela na condução do veículo. Não se pode passar por cima de uma pessoa deitada na via sem perceber”, destacou Carlos César.
A investigação também apura informações levantadas por familiares da vítima e testemunhas sobre a possibilidade de outra pessoa estar dirigindo o carro no momento do atropelamento. A polícia realizou buscas na residência da investigada e apreendeu imagens do circuito interno de segurança para esclarecer quem conduzia o veículo.
Segundo Carlos César, até o momento, os elementos reunidos indicam que a mulher que se apresentou à polícia era, de fato, a motorista do carro. O inquérito policial, no entanto, ainda não foi concluído e novas perícias seguem sendo realizadas.
O delegado também esclareceu que Maria do Socorro não era pessoa em situação de rua. Familiares compareceram à delegacia e informaram que ela possuía residência fixa no Conjunto Saci.
“Claramente a vítima tinha problemas com álcool, isso foi relatado por várias pessoas do bairro. Entretanto, ela tinha residência fixa. Uma das filhas compareceu à delegacia reclamando de boatos nas redes sociais dizendo que ela era moradora de rua, o que não é verdade”, concluiu o delegado.