Larisse Da Fé De Jesus, esposa do açougueiro João da Cruz de Sousa, morto em um latrocínio na zona Sul de Teresina, pediu justiça em entrevista à TV Lupa1 na manhã desta sexta-feira (12) e afirmou que “ninguém pode tirar a vida de ninguém”. Larisse relatou a dor da família após o crime, ocorrido quando o marido retornava para casa após o trabalho.
Ela afirmou que a morte de João não pode ser vista como algo comum e que a família exige resposta das autoridades.“Ninguém aqui nasceu para tirar a vida de ninguém. Deus é quem dá e Deus é quem tira. Mas eu acredito que meu marido ali não era a hora dele. Eu peço a justiça da terra, mas creio na justiça do Criador, porque meu marido não era uma pessoa ruim”, afirmou.
Larisse também falou sobre a dor de perder o marido de forma tão repentina. Ela contou que ver o corpo de João no caixão evidenciou o tamanho do choque para a família e deixou claro que retomar a rotina será difícil.
“É muito difícil, só quem sabe é quem está passando. Eu fui casada com ele por quase 25 anos e olhar para ele no caixão foi muito difícil. Eu nunca imaginei na minha vida passar por isso”, relatou.
O crime
João foi morto enquanto voltava para casa por volta das 21h no bairro Mário Covas. Segundo o delegado Danúbio Dias, do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), ele foi seguido por dois suspeitos em uma motocicleta. Ao alcançá-lo em uma avenida do bairro, o garupa desceu e anunciou o assalto.
A vítima tentou reagir, mas foi atingida por um disparo. João ainda foi levado ao Hospital de Urgência de Teresina, mas não resistiu. Os suspeitos fugiram levando a moto da vítima e após cruzarem a BR e seguiram para uma área de mata, abandonaram o veículo, que posteriormente foi recuperado pela Polícia Militar.
Larisse relatou que João trabalhava como moto táxi para complementar a renda, apesar dos riscos. Ela explicou que o marido saía principalmente nos fins de semana e que insistia para que ele evitasse circular em horários considerados perigosos
Ainda segundo o delegado, o policiais militares informaram que receberam uma ligação por volta das 22h45 comunicando que a vítima estaria sangrando no chão após sofrer um assalto. Quando o 22º Batalhão da Polícia Militar (22º BPM), chegou ao local, a vítima ainda estava consciente e confirmou o roubo da motocicleta.
“Quando eu saí de manhã, ele ficou dormindo. Eu só falei que tinha feito almoço, que era para ele terminar de ajeitar e pronto. Foi a última vez que eu falei com ele. Não falei mais, só falei com ele na hora do ocorrido, que quando aconteceu ele só chamava pelo meu nome. Aí eu fui, cheguei lá, ele pegou na minha mão bem forte, me agarrou e me gritou bem alto e disse que ia morrer”, recordou Larisse.
Ela também falou sobre a filha do casal, de 11 anos, que tenta lidar com a perda e tem buscado apoiá-la. Segundo a mãe, a menina tem se mostrado protetora diante da ausência do pai.
“Ela está triste só me abraçando e dizendo que vai cuidar de mim que pra mim não chorar pra mim me alimentar que agora é só Deus, ela e eu. E é verdade. Que agora eu vou ser pai e mãe”.
Ao todo, quatro adolescentes, um homem e uma mulher foram detidos por participação no latrocínio, segundo o coronel Scheiwann Lopes. A polícia já colheu relatos de parte do grupo e continua em busca dos demais envolvidos.