O cientista político Luiz Felipe d’Ávila avaliou o cenário eleitoral de 2026 e afirmou que, no momento, o Partido dos Trabalhadores enfrenta dificuldades para se manter competitivo nas disputas pelos governos estaduais. De acordo com ele, a única exceção seria o Piauí, onde o governador Rafael Fonteles surge como o nome com maior viabilidade eleitoral dentro da legenda.
Na análise de d’Ávila, o próximo pleito não se resume à eleição presidencial. Para ele, as disputas nos estados terão papel central na definição dos rumos políticos e administrativos do país, influenciando diretamente a condução de políticas públicas e o equilíbrio de forças entre os campos ideológicos.
Ele avalia que o partido não conseguiu fortalecer quadros capazes de enfrentar adversários competitivos fora do Piauí e sustenta que, hoje, a sigla carece de nomes com força eleitoral significativa no cenário estadual.
Ao destacar Rafael Fonteles, d’Ávila chama atenção para o perfil técnico do governador piauiense, marcado pela formação em economia e por uma atuação voltada à gestão. Em tom crítico, afirma que essa característica o diferencia do padrão predominante no partido, que, segundo sua avaliação, tende a adotar decisões mais ideológicas.
O diagnóstico também é negativo em estados onde o PT já exerceu grande influência política. Na Bahia e no Ceará, por exemplo, o cientista político aponta desgaste e rearranjos no campo progressista que teriam reduzido ainda mais o espaço da legenda para 2026.
Para d’Ávila, esse contexto abre caminho para um avanço da direita nas eleições estaduais, desde que o campo conservador evite disputas internas. Ele avalia que o controle dos governos estaduais será determinante para a continuidade de agendas econômicas e administrativas, independentemente do resultado da eleição presidencial.