Na política, ninguém se move sem antes medir forças, contar votos e, sobretudo, ouvir. Foi nesse tom, de cautela calculada e portas entreabertas, que o deputado estadual Gessivaldo Isaías falou sobre seu futuro partidário, deixando claro que a permanência no Republicanos não é uma decisão isolada nem definitiva.
Gessivaldo foi direto ao ponto: não há como disputar sozinho. Para ele, a construção de uma candidatura passa, necessariamente, por uma composição forte e competitiva. Sem isso, o caminho natural seria buscar outra legenda.
“Se não tiver uma composição para deputado estadual, eu vou ter que me deslocar para um outro partido”, resumiu, em tom pragmático.
Entre as conversas já iniciadas, o Progressistas aparece como o diálogo mais avançado. O deputado confirma que sentou à mesa, ouviu, foi convidado e avaliou o cenário. Já o MDB, embora também tenha feito convite, ainda aguarda uma conversa mais aprofundada.
“Recebi convite do MDB, mas não sentei para conversar”, pontuou, sem fechar a porta.
Na análise fria dos números, Gessivaldo expõe o bastidor que poucos dizem em voz alta. Hoje, segundo ele, um mandato se garante com cerca de 35 mil votos, em uma chapa robusta, formada por nomes já conhecidos do eleitorado, como Gustavo Neiva, Bessá, Fernandinho, Pedro Alcântara, entre outros pré-candidatos. Competição existe e ele não nega. Mas, para o deputado, isso faz parte do jogo.
Quando o assunto é MDB, o cálculo muda. Ali, Gessivaldo afirma que só haveria sentido em migrar se a projeção chegasse a 40 mil votos. Caso contrário, a equação não fecha. “Como eu conseguiria chegar a 40 mil votos no MDB?”, questiona, deixando claro que qualquer movimento precisa vir acompanhado de viabilidade eleitoral.
Apesar das conversas em curso, o deputado reforça que ainda está no Republicanos e que a decisão final só virá no momento certo, dentro da janela partidária. Até lá, admite: dialogar é inevitável e necessário.
“Seria hipocrisia dizer que não estou conversando. A política é uma arte, a arte de conversar”, afirmou.
Entre a linha progressista do partido, os convites na mesa e os números na ponta do lápis, Gessivaldo Isaías segue no centro do jogo, sem “pregar o batido nem apontar a virada”. A definição fica para depois. Afinal, na política, quem se antecipa demais costuma perder espaço no próximo lance.