Tem político que escolhe lado. Rafael Fonteles parece ter escolhido outro caminho: ele quer todos os lados.
Nesta quinta-feira, em quatro cidades do interior do Piauí, o governador fez algo que poucos conseguem sem parecer ingênuo ou desonesto: visitou, no mesmo dia, grupos que se digladiam localmente, sem que nenhum dos dois fechasse a porta. Em Pau D'Arco do Piauí, Beneditinos, Alto Longá e São João da Serra, as agendas foram separadas, mas a mensagem foi a mesma para todos: o governador foi até você.
Não foi coincidência
Em Pau D'Arco do Piauí, Fonteles esteve com o prefeito Milton Passos e, depois, com o grupo oposicionista liderado por Bruno Sindô, derrotado nas eleições de 2024. Em Beneditinos, visitou o prefeito Talles Marques e também o grupo formado pelo ex-prefeito Jullyvan Mesquita e pelo candidato derrotado em 2024 Fábio Roberto. Nos dois municípios, situação e oposição foram à conversa. Nos dois, ninguém recusou.
O mesmo se repetiu em Alto Longá e São João da Serra. No primeiro, o governador passou pela agenda do prefeito Belauto Bigide e encontrou o ex-prefeito Henrique César de Arêa Leão, que lidera a oposição local. No segundo, esteve com o prefeito Joãozinho Manu e com Acácio Almeida, derrotado nas eleições de 2024 e hoje na liderança do grupo oposicionista. Mesma dinâmica, mesmo resultado: todos foram.
Quatro cidades. Oito grupos. Nenhuma porta fechada.
Quando a oposição de um município recebe o governador, ela não está abandonando seus princípios. Ela está sendo pragmática. Está dizendo, nas entrelinhas, que brigar com o Palácio de Karnak não compensa. Que, independentemente de quem manda na prefeitura, é do estado que vêm as obras, as verbas, os convênios. E quem fecha a porta para essa conversa, fecha a porta para muita coisa.
Fonteles entendeu esse jogo cedo
A habilidade não está em prometer o mesmo para todo mundo. Está em se mover, em ir até as pessoas, em fazer cada grupo sentir que o governador se deu ao trabalho de aparecer. Em política, presença física vale ouro. Às vezes vale mais do que qualquer promessa concreta.
O resultado é simples de enxergar: ninguém quer se dar ao luxo de fechar as portas para o governador. Nem os que estão no poder, que precisam dele para governar. Nem os que perderam as eleições, que precisam mostrar que ainda são relevantes, que o jogo não acabou para eles.
Em quatro cidades, dos dois lados, todos receberam. E isso, por si só, já diz muito sobre o rítmo que Rafael pretende empregar na campanha que se avizinha.