Colapso da Hapvida e descaso da Unimed: a saúde suplementar na UTI

Enquanto gigante nacional perde 94% de valor e troca comando para estancar sangria financeira, Unimed Teresina enfrenta crise de reputação por descumprir ordens judiciais e negar terapias a autistas

O mercado de saúde suplementar brasileiro vive seus dias mais sombrios, imprensado entre a ineficiência financeira e a desumanização do atendimento. Dois casos emblemáticos ilustram o colapso do setor: de um lado, a Hapvida, maior operadora verticalizada do país, vê seu império financeiro derreter na Bolsa de Valores; do outro, em escala regional, a Unimed Teresina adota práticas de "guerra" contra beneficiários, ignorando o Judiciário para conter custos às custas de crianças com autismo.

 Unimed Teresina e Hapvida: Crise por todos os lados   

O gigante de joelhos: Hapvida perde R$ 100 bilhões

A Hapvida, que já foi celebrada como a "Amazon da Saúde" e chegou a valer R$ 110 bilhões, enfrenta uma erosão sem precedentes. Com uma desvalorização superior a 90%, hoje avaliada em cerca de R$ 6 bilhões, a empresa viu a saída de 60 mil clientes em apenas um trimestre.

A resposta da companhia foi pragmática e financeira: a troca do CEO.

Jorge Pinheiro sai de cena para dar lugar a Luccas Adib, o atual diretor financeiro (CFO). A mensagem ao mercado é clara: a prioridade é o caixa, não necessariamente o leito. No entanto, essa "financeirização" da gestão cobra um preço alto. No Amazonas, a empresa já é alvo de ações civis públicas por negar atendimento a crianças com deficiência, um prenúncio do que se espalha pelo resto do país.

Piauí: O reflexo no espelho da Unimed

Se a Hapvida peca pela lógica fria de Wall Street, a Unimed Teresina, uma cooperativa médica, deveria, em tese, operar sob a lógica do cuidado. Mas a realidade em Teresina mostra que a cooperativa embarcou na mesma estratégia de contenção de despesas a qualquer custo, atropelando a ética e a lei.

Enquanto a Hapvida tenta se salvar trocando executivos, a Unimed Teresina tenta "salvar o caixa" descumprindo liminares. 

Denúncias formalizadas pela OAB-PI apontam que a cooperativa tem ignorado ordens judiciais sistematicamente, interrompendo terapias vitais para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A estratégia do "Vencimento pelo Cansaço"

O paralelo entre as duas operadoras é assustador. Ambas parecem ter identificado no paciente de alta complexidade (como os autistas) um "custo a ser combatido".

No caso da Unimed Teresina, a tática inclui:

Calote técnico: Atrasos recorrentes nos pagamentos às clínicas credenciadas.

Barreiras burocráticas: Exigência de documentos desnecessários para travar liberações.

Desobediência frontal: Recusa em cumprir decisões que determinam a continuidade de tratamentos métodos específicos (ABA, Denver), forçando a judicialização em massa.

Saúde não é comoditty

 O cenário projeta um 2026 caótico para o beneficiário piauiense. A crise da Hapvida prova que o modelo de "lucro acima de tudo" tem pernas curtas e pode destruir uma marca hegemônica em meses. Já a Unimed Teresina, ao brincar com o risco de prisão por desobediência e com a regressão clínica de crianças, coloca em xeque sua história de credibilidade.

O mercado financeiro puniu a Hapvida tirando seu valor. A sociedade e a justiça do Piauí começam a cobrar a fatura da Unimed. No fim, a lição que fica para os gestores de ambas as pontas é a mesma: quem trata saúde como mercadoria barata, acaba pagando caro, seja em reais, em reputação ou em vidas.