O Ministério da Educação (MEC) detalhou os critérios de supervisão para os cursos de medicina que apresentaram desempenho insuficiente na primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). A Afya Faculdade de Medicina de Parnaíba, mesmo grupo a qual pertence a antiga faculdade Uninovafapi, obteve nota 2 e enquadrou-se em um subgrupo que evitou medidas cautelares imediatas mais duras, mas sofreu uma sanção direta: a proibição de aumento de vagas.
No limite da proficiência
O resultado da unidade piauiense foi considerado um "alerta amarelo". A instituição registrou 58,1% de proficiência entre seus alunos, o que a colocou entre os 45 cursos do país que, apesar da nota 2, superaram o patamar de 50% de aproveitamento.
Por ter passado "por pouco" dessa linha de corte, a faculdade não sofrerá, por ora, intervenções como a suspensão total de vestibulares ou o corte de vagas existentes, enfrentando apenas o bloqueio para qualquer expansão de sua oferta acadêmica.
Desempenho abaixo da média
O Enamed avaliou 351 cursos de medicina em todo o país. No Piauí, a Afya Parnaíba destacou-se negativamente ao ser a única a atingir a faixa 2 da avaliação. Outras instituições do estado, como a UFPI, a UESPI e a UFDPar, conquistaram o conceito 4, enquanto o Centro Universitário Afya Teresina e a Facid Wyden ficaram com a nota 3, considerada o patamar mínimo de suficiência. O cenário nacional revela que cerca de um terço dos cursos avaliados tiveram desempenho insuficiente.
Valor alto e pouca entrega
O que mais preocupa segundo o próprio ministro da Educação, Camilo Santana, são os altos valores cobrados pelas faculdades particulares que obtiveram as piores notas. O que deveria ter uma entrega excelente vira o inverso. Em Parnaíba-PI a mensalidade atual chega próximo dos 12 mil reais mensais. Quase 8 salários mínimos em um único mês.
A explosão de cursos de medicina no Piauí
O desempenho da unidade de Parnaíba ocorre em um momento de intensa expansão do ensino médico no Piauí. Nos últimos anos, o estado consolidou-se como um polo de saúde, atraindo investimentos de grandes grupos educacionais nacionais.
Atualmente, o Piauí conta com cursos em Teresina, Parnaíba, Picos e Floriano. No entanto, o resultado do Enamed levanta o debate sobre se a velocidade dessa expansão, muitas vezes impulsionada por decisões judiciais para abertura de vagas, está sendo acompanhada pela manutenção da qualidade no ensino e na infraestrutura hospitalar de apoio.
Cenário estadual e vigilância
Enquanto instituições públicas como a UFPI e a UESPI mantêm indicadores sólidos, a rede privada no Piauí apresenta um cenário heterogêneo. O MEC sinalizou que o Enamed será o balizador para frear o crescimento desordenado.
Para o Piauí, a nota da Afya Parnaíba serve como um freio regulatório: embora o curso continue operando, a autorização para novos alunos ou ampliação da estrutura está oficialmente congelada até que a instituição comprove melhoria nos indicadores de aprendizagem no próximo ciclo avaliativo.