Células imortais: herdeiros de Henrietta Lacks avançam em batalha judicial

Henrietta Lacks teve suas células coletadas indevidamente em 1951, quando precisou realizar uma biópsia para diagnosticar câncer.

A família de Henrietta Lacks voltou a ganhar destaque no cenário jurídico internacional. Em março de 2026, os descendentes da mulher cujas células se tornaram imortais em laboratório anunciaram mais um processo contra uma gigante farmacêutica. A ação, desta vez contra a suíça Novartis, resultou em um acordo extrajudicial, reforçando a luta da família por reconhecimento e compensação pelo uso das chamadas células HeLa, coletadas em 1951 sem consentimento.

 Células imortais: herdeiros de Henrietta Lacks avançam em batalha judicial - Foto: Reprodução   

Henrietta Lacks, uma mulher afro-americana de 31 anos, morreu em 1951 em Baltimore, vítima de câncer no colo do útero. Durante seu tratamento, médicos do Hospital Johns Hopkins retiraram amostras de células tumorais sem autorização. Essas células, que se mostraram capazes de se replicar indefinidamente, tornaram-se uma ferramenta essencial para a ciência, contribuindo para avanços como a vacina contra a poliomielite, pesquisas sobre HIV, câncer e até o desenvolvimento de medicamentos modernos.

Apesar da relevância científica, o caso sempre levantou debates éticos. Por décadas, empresas e instituições lucraram com o uso das células HeLa sem que a família tivesse conhecimento ou participação. Apenas recentemente os descendentes de Henrietta passaram a mover ações judiciais contra grandes farmacêuticas, reivindicando reparação financeira e reconhecimento histórico. O acordo com a Novartis soma-se a outros processos já iniciados contra companhias do setor.

O episódio continua sendo um marco na discussão sobre ética médica, consentimento informado e justiça racial na ciência. Para especialistas, o caso de Henrietta Lacks expõe a necessidade de maior transparência e responsabilidade na pesquisa biomédica, além de servir como alerta para que histórias semelhantes não se repitam. A luta da família, mais de sete décadas depois, mostra que o impacto das células HeLa vai muito além dos laboratórios: é também uma questão de memória, dignidade e direitos humanos.