Sífilis se mantém em alta no Brasil e atinge principalmente jovens e gestantes

Boletim com dados até junho de 2025 aponta estabilidade após anos de crescimento, trazendo alerta para risco de transmissão na gravidez.

Dados do Boletim Epidemiológico de Sífilis 2025, com informações atualizadas até junho de 2025, mostram que a doença segue em níveis elevados no país, após anos de crescimento.

 Teste rápido ajuda a identificar a sífilis e iniciar o tratamento de forma imediata - Foto: Secretaria de Saúde do DF   

Em 2024, último ano com dados consolidados, o Brasil registrou 256,8 mil casos de sífilis adquirida, com taxa de 120,8 casos por 100 mil habitantes, quase o dobro do registrado em 2020.

A doença atinge principalmente jovens adultos. As maiores taxas estão entre pessoas de 20 a 29 anos e 30 a 39 anos, faixa considerada mais vulnerável à infecção.

Entre gestantes, foram 89,7 mil casos em 2024, mantendo tendência de crescimento. Um dos dados que mais chamam atenção é que 27% das gestantes com sífilis tiveram bebês infectados, o que indica falhas no diagnóstico ou no tratamento durante o pré-natal.

Entre 2022 e 2024, o país registrou queda de mais de 2,6 mil casos. Mesmo com a redução, a doença ainda causa mortes e em 2024, foram 183 óbitos de bebês relacionados à sífilis congênita. 

Os dados também mostram desigualdade regional. No Piauí, a taxa geral de sífilis é uma das menores do país, mas o percentual de transmissão da mãe para o bebê está entre os mais altos, o que acende alerta para a qualidade do pré-natal.