08 de maio de 2026 às 17:45 ▪ Atualizado há 3 semanas
Cheguei na China em 15 de setembro de 2002. Aterrissei no aeroporto de Xiamen, e meu irmão Jorge Luís veio me buscar. Na época ele tinha um carro branco novo (um Ford Focus) e um motorista, pois não tinha carteira de habilitação chinesa. De lá fomos para Quanzhou, a cerca de 100 Km de distância, cidade onde iria morar por 15 anos. Durante o trajeto, que na época demorava pouco mais do que uma hora e meia, conversamos sobre a viagem, lembranças de nossa infância e juventude, e sobre os planos imediatos.
Um baiano na China - Foto: Reprodução
Jorge estava ‘bem’, com grande sucesso nos negócios. Havia pagado a minha passagem e reservado um quarto no hotel Fengze, até eu arrumar um apartamento. Tudo isso e muito mais ele fez sem nunca me cobrar, de boa vontade e coração aberto. Eu vinha de uma grande derrota – sobre a qual falarei em algum relato futuro – e serei eternamente grato.
Chegamos em Quanzhou no início da noite, e logo estacionamos na frente do hotel. Meu irmão, que já falava mandarim fluentemente, me ajudo a fazer o check-in. Recebi o cartão do quarto, e ele subiu comigo para me ensinar como usá-lo; essa foi a minha primeira vez usando um cartão magnético como chave no hotel. Fiquei muito bem impressionado com o quarto, amplo e confortável, impecavelmente limpo, mas logo percebi que haveria algumas dificuldades...
Ao tentar tomar um banho, algo necessário após a viagem de 28 horas e sob o calor sufocante de setembro no sudeste da China, percebi que não conseguia fazer a água sair pelo chuveiro; o líquido teimosamente escorria por uma torneira de nível mais baixo, destinada a encher a banheira. Eu só queria mesmo tomar uma ducha rápida, pois logo mais meu irmão voltaria para me levar para jantar e celebrar com amigos. Tentei de todas as formas, mas não consegui. Acabei tomando o meu banho com ajuda de uma canequinha de chá, que usei para jogar água na cabeça e no corpo. Hoje parece engraçado, mas na época achei um pouco frustrante. Foi também o prenúncio de uma série de desafios de natureza cultural e tecnológica que eu teria que enfrentar em seguida.
Tomado o banho de caneca, me vesti e fiquei esperando. Ouvi o interfone tocar. Atendi, ouvi uma voz feminina dizer algo em chinês apressadamente, e logo a voz do meu irmão dizendo “desce aí, tô aqui no lobby te esperando”. Desci, nos encontramos, e ele disse “vamos no karaokê”.
Continua...
*** Texto escrito por colaborador externo. As opiniões nele contidas não refletem, necessariamente, a opinião do veículo.
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