Ao Ponto

Doutor em Planejamento Regional - Universidade de Grenoble/França; Professor aposentado UFPI.
Ao Ponto

Uma verdade incômoda

Há males que vem para o bem; e há malas que vão para Belém.

03 de junho de 2026 às 09:54 ▪ Atualizado há 19 horas


Qual o nível de desenvolvimento de um país ou região? 

Há várias ferramentas que balizam a resposta. Porém, o indicador mais utilizado no planeta, para se responder àquela pergunta é o IDH (índice de desenvolvimento humano). Prefiro o IPS. Ele é mais amplo e tem muitas outras vantagens.

Uma verdade incômoda - Foto: Reprodução

Mas o papo agora é sobre o IDH, pois o PNUD acaba de divulgar resultados recentes, tanto para o Brasil, como para as regiões e as unidades federativas do país.

E o nosso Piauí, como ficou?

Confirmou-se o que alguns indicadores, menos badalados, já apontavam: as nossas diferenças em relação as regiões mais desenvolvidas do Brasil continuam relevantes. Porém, em termos regionais, estamos praticamente no mesmo nível dos demais Estados nordestinos.

Nosso IDH está abaixo de 3 outras unidades regionais: Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco.

E superior a outras 5 unidades: Sergipe, Paraíba, Bahia, Alagoas e Maranhão.

Estes dois últimos tornaram-se os “patinhos feios” do Nordeste, rótulo que possuímos por anos.

Ainda tem gente que repete esta velha situação. Mas o que podemos fazer com o “complexo de vira latas”?

As boas notícias do IDH, no entanto, não estampam toda a verdade.  Refiro-me à exclusão.

As locomotivas que aceleram o crescimento piauiense têm perversos efeitos colaterais. Tomarei, como exemplo, uma de nossas locomotivas mais famosas: o agronegócio. 

E qual é o problema? Sendo objetivo: o crescimento gerado pelo setor, eleva nosso PIB, mas pouco benefício tem irradiado para a populações  do Cerrado piauiense .

Um exemplo: o município de Baixa Grande do Ribeiro tem a maior renda percapita dentre os 224 municípios do Piauí. No entanto, seus indicadores sociais – ou seja, a qualidade de vida de seus habitantes está entre as 20 piores do Estado.

Os indicadores do IPS – índice de progresso social – são claros, neste sentido.  Como aceitar que alguns municípios produtores de grãos, estejam apresentando tal qualidade de vida?

A exclusão não pode ser banalizada. Estamos crescendo de maneira torta. Não podemos nos enganar com a modernidade das espetaculares fazendas de grãos. Visitei algumas. De fato,  são impressionantes.

Mas justiça seja feita. A preocupação com o bem-estar da população deve ser do setor público e não, dos produtores de grãos.

Crescimento é uma coisa. Desenvolvimento é outra. E adoro Belém.

*** Texto escrito por colaborador externo. As opiniões nele contidas não refletem, necessariamente, a opinião do veículo.




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