Por Redação Lupa1
16 de dezembro de 2025 às 16:53 ▪ Atualizado há 2 meses
O desembargador Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), foi preso pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira (16), durante a segunda fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura a atuação de agentes públicos suspeitos de envolvimento no vazamento de informações sigilosas de operações policiais.
Desembargador é preso em operação que investiga vazamento de informações para o CV - Foto: Reprodução A prisão foi cumprida na residência do magistrado, localizada na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio de Janeiro. A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por autorizar as medidas da operação.
Por meio de nota, a defesa de Macário, representada pelo advogado Fernando Augusto Fernandes, afirmou que a decisão teria sido tomada a partir de informações equivocadas. Segundo o defensor, “o ministro Alexandre de Moraes foi induzido a erro ao determinar a medida extrema”. A defesa também alega que não teve acesso à íntegra da decisão que decretou a prisão, o que, segundo o advogado, inviabilizaria o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.
Macário Júdice Neto é relator do processo que envolve o ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias. O ex-parlamentar está preso sob suspeita de ligação com a facção criminosa Comando Vermelho e teve mandado de prisão expedido pelo próprio juiz em setembro, no âmbito da Operação Zargun.
A Polícia Federal teria indícios de que o desembargador é suspeito de envolvimento no vazamento da ação contra o TH Joias.
TH Joias integrava a base política do governador Cláudio Castro (PL) e de Rodrigo Bacellar (União), presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Bacellar é investigado por suspeita de participação em possível vazamento de informações relacionadas à operação contra o ex-deputado.
No início de dezembro, Bacellar chegou a ser preso por decisão judicial, mas acabou sendo solto após deliberação da Alerj. Ele solicitou licença do mandato parlamentar e só deve retornar às atividades em 2026.
De acordo com as investigações da Polícia Federal, o desembargador teria estado em um restaurante com Rodrigo Bacellar no momento em que o parlamentar realizou uma ligação telefônica para TH Joias.
Na nova fase da operação, Bacellar voltou a ser alvo de mandados de busca e apreensão. O chefe de gabinete do parlamentar também teve a residência vasculhada pela PF, em Campos dos Goytacazes, no norte do estado do Rio de Janeiro.
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