No Centro do Poder

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PL da Dosimetria: dois votos surpreendem; veja como votaram deputados e senadores do PI sobre veto de Lula

Em Brasília, o que se viu foi um termômetro político, e o Piauí apareceu dividido, com direito a votos que fugiram do script.

Por Alessandra Fonseca

01 de maio de 2026 às 16:53 ▪ Atualizado há 1 mês


O Piauí já não se move em bloco. Os votos começam a fugir do roteiro, sinal de que o enredo maior ainda está sendo reescrito. Seis deputados federais e dois senadores do Piauí votaram contra a derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto conhecido como PL da Dosimetria, que permite a redução de penas de condenados, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pelos ataques de 8 de janeiro de 2023.

 Plenário da Câmara dos Deputados reunido para votação do PL da Dosimetria  - Bruno Spada/Câmara dos DeputadosPlenário da Câmara dos Deputados reunido para votação do PL da Dosimetria - Bruno Spada/Câmara dos Deputados 



A votação da dosimetria nesta semana acabou virando mais do que um debate técnico. Em Brasília, o que se viu foi um termômetro político, e o Piauí apareceu dividido, com direito a votos que fugiram do script.

Na Câmara, o estado se partiu entre o “sim” de Dr. Francisco, Flávio Nogueira, Florentino Neto, Merlong Solano e Júlio César, e o “não” de Átila Lira, Júlio Arcoverde, Marcos Aurélio Sampaio e Jadyel Alencar


A divisão em si não seria novidade. O que deu tom político à votação foram dois nomes: Marcos Aurélio e Jadyel Alencar.

Os dois votos surpreenderam porque quebraram expectativas de alinhamento. 


No caso de Marcos Aurélio , o estranhamento vem do posicionamento dentro do próprio campo. Ele integra um posicionamento que, em muitos momentos, opera com pragmatismo e costuma dialogar com o governo em votações sensíveis. O voto contrário, nesse contexto, soa como um gesto de maior autonomia ou, no mínimo, de que não há alinhamento automático.

Já o voto de Jadyel Alencar surpreende por outro motivo: trajetória e leitura de ambiente. Ele vinha sendo visto como um nome mais próximo de uma linha de composição, sem grandes movimentos de ruptura. Ao votar “não”, se distancia desse perfil esperado e entra num campo mais afirmativo politicamente. É o tipo de movimento que reposiciona o deputado.

No Senado, o cenário foi mais linear: Marcelo Castro e Wellington Dias votaram “sim”, enquanto Ciro Nogueira ficou no “não”. 


Na quarta-feira (29), a derrota de Jorge Messias em uma votação considerada histórica já tinha mudado o clima em Brasília. O episódio uma derrota ao governo federal e abriu espaço para movimentos mais independentes, como os que apareceram logo depois na análise da dosimetria.

O que é a dosimetria?

O projeto cria uma regra específica para a aplicação das penas de dois crimes contra a democracia: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, com pena de 4 a 8 anos de prisão, e golpe de Estado, com pena de 4 a 12 anos.
Segundo o texto, se os dois crimes forem cometidos no mesmo contexto, as penas não poderão ser somadas.
Na prática, o projeto de lei permite a redução de penas de condenados por atos golpistas, incluindo os ataques de 8 de janeiro de 2023.




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