De Olho nas Cidades

Promotora acusa primo do prefeito de Aroazes de acumular cargos e receber R$ 59,6 mil sem prestar serviço

Ação que foi ajuizada na Comarca de Valença no dia 18 de novembro aguarda decisão da Justiça

Por Mikeias di Mattos

24 de novembro de 2025 às 09:50 ▪ Atualizado há 2 meses


O Ministério Público do Piauí ingressou com ação de improbidade administrativa contra Emanuel Portela Soares de Carvalho, primo do prefeito Manoel Portela Neto, acusado de acumular cargos públicos de forma ilegal e receber remuneração do Município de Aroazes sem comprovação de trabalho efetivo. O valor indevidamente recebido, segundo a Promotoria, chega a R$ 59.646,01, já atualizado até junho de 2024. 

 Promototoria de Justiça de Valença do PiauíPromototoria de Justiça de Valença do Piauí   

A investigação identificou que o servidor manteve vínculo ativo com o Estado do Piauí desde outubro de 2021, ao mesmo tempo em que ocupava cargo comissionado em Aroazes por mais de três anos. As duas funções possuem cargas horárias incompatíveis e exigiriam presença simultânea em cidades distantes mais de 230 quilômetros, o que, para o Ministério Público, torna impossível o exercício real das atividades municipais.

A Promotoria também apontou ausência de qualquer prova mínima de que o servidor tenha desempenhado suas funções em Aroazes. Chefes imediatos afirmaram não saber especificar quais atividades eram realizadas, limitando-se a declarações vagas sobre suposto trabalho “em Teresina” ou em “projetos”, sem relatórios, registros ou documentação que sustentassem tais afirmações. Para o Ministério Público, essas circunstâncias configuram prestação fictícia de serviço.

Primo do prefeito

Outro ponto destacado é o fato de o investigado ser primo do prefeito de Aroazes, Manoel Portela Neto, situação que, segundo o órgão, pode ter contribuído para a falta de fiscalização sobre o cumprimento da jornada e para a ausência de controles administrativos. Também não foi localizada a portaria oficial de nomeação do servidor, embora outras nomeações de comissionados do mesmo período estejam regularmente publicadas.

 Manoel Portela NetoManoel Portela Neto   

Paralelamente aos vínculos públicos, o investigado mantinha atividades privadas como sócio e responsável técnico de uma empresa de engenharia em Teresina. A combinação de carga horária estadual, cargo municipal e empresa própria reforçou a conclusão de que não havia disponibilidade para o efetivo exercício da função em Aroazes.

Com base nesse conjunto de fatos, o Ministério Público afirma que houve enriquecimento ilícito decorrente do recebimento de salários sem prestação de serviço. A ação pede a devolução integral dos valores ao erário, perda de eventual função pública, suspensão dos direitos políticos, multa civil e proibição de contratar com o poder público.

O processo está agora sob análise da Vara Cível de Valença do Piauí, que decidirá sobre o recebimento da ação e os próximos passos do caso.

Outro lado

A tentativa de contato com a prefeitura de Aroazes na manhã desta segunda-feira, através do contato disponível na site oficial, foi frustrada uma vez que as ligações não foram atendidas e as mensagens não respondidas. O espaço segue aberto para manifestaões.




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