Por Emanuel Pereira
11 de fevereiro de 2026 às 15:48 ▪ Atualizado há 3 meses
A prisão do piloto Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, ocorrida nesta segunda-feira (09), suspeito de liderar uma rede de abuso sexual infantil, chocou todo o país.
A profissional Luana Miranda concedeu entrevista ao jornalista da TV Lupa1, Emanuel Pereira - Foto: Keilaecyw Neves O fato ocorreu em um voo da Latam, no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Ele não confessou o crime e permanece em uma cela isolada no 26º Distrito Policial.
O caso acendeu um alerta sobre a vulnerabilidade de crianças e adolescentes em relação a predadores sexuais em um país onde, a cada seis minutos, ocorre um estupro (Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024).
A fim de prevenir e promover conscientização sobre a gravidade destes crimes, a TV Lupa1 conversou com a psicóloga infantil Luana Miranda, que detalhou como se comportam estes criminosos e enfatizou o uso das redes sociais como mecanismo facilitador para a ocorrência de abusos sexuais.
A especialista afirma que, geralmente, o abusador é um familiar, amigo ou alguém próximo do menor.
Pais e responsáveis devem estar atentos a quem busca proximidade excessiva com crianças, principalmente se o agressor quiser ficar a sós com a vítima.
Para atraí-las, os criminosos costumam dar presentes, como brinquedos e doces.
"Abusadores geralmente tentam conquistar as crianças com presentes e utilizam uma linguagem codificada, que somente os dois entendem. Eles também costumam pedir para que as vítimas mantenham segredos sobre o que acontece", disse.
Outra característica é o rompimento de alguns limites, como horários.
"Por exemplo, a família estipula um horário para o menor voltar para casa em segurança. O criminoso ultrapassa esse limite o desrespeito às regras estabelecidas pelos pais ou responsáveis fica cada vez mais frequente", afirmou.
O comportamento dos abusadores sexuais afeta a maneira como as vítimas agem.
O quarto se transforma no mundo destas pessoas. Entre as quatro paredes do cômodo, elas choram, como forma de aliviar a opressão sofrida pelo agressor.
Os momentos de abuso permanecem na memória, o que acarreta em noites mal dormidas e falta de prazer em realizar atividades cotidianas.
Crianças comunicativas permanecem mais caladas. Momentos de diálogo com os pais ficam cada vez mais raros e há um distanciamento entre o menor e a sociedade.
Algumas vítimas podem provocar automutilação.
"Essas vítimas podem tentar aliviar a dor emocional com a dor física e isso pode gerar transtornos psicológicos, caso os abusos não sejam interrompidos", pontuou.
Nestas situações, a melhor alternativa é família insistir em conversar.
"As mudanças estão quase sempre visíveis e cabe aos familiares ter atenção. Dialogar com crianças e adolescentes é fundamental para diagnosticar casos de abusos sexuais", destacou.
O fácil acesso a tecnologias e plataformas digitais favoreceu às ações criminosas dos abusadores.
Geralmente, estes criminosos criam perfis falsos para atrair as vítimas.
Aos pais e responsáveis, cabe monitorar as redes sociais de crianças e adolescentes.
"O ideal é que as crianças nem tenham perfis online, sejam nas redes sociais ou plataformas de jogos. Os pais não podem temer pegar os celulares dos filhos e averiguar o histórico de pesquisas e conversas", finalizou.
Abusar sexualmente de crianças e adolescentes é crime. Denuncie!
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