Por Isabella Monteiro , Mikeias di Mattos , Emanuel Oliveira
06 de janeiro de 2026 às 13:00 ▪ Atualizado há 2 meses
TERESINA — Entre 2022 e 2025, a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) construiu uma trajetória de expansão que merece análise detalhada. Levantamento realizado pela equipe do Lupa1, baseado em dados oficiais do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (SIOPS), relatórios da Secretaria da Fazenda apresentados em audiências públicas na Assembleia Legislativa e documentos da própria Sesapi, revela que o estado não apenas cumpriu, mas superou as metas constitucionais de investimento em saúde pública em todos os exercícios fiscais do período.

Os números são objetivos: em 2022, o Piauí aplicou 15,59% de sua receita própria em Ações e Serviços Públicos de Saúde (ASPS), percentual que se manteve acima do mínimo constitucional de 12% mesmo nos anos subsequentes — 14,05% em 2023, 13,72% em 2024 e 14,83% em 2025 (dados até o 5º bimestre). Este comportamento fiscal, aliado a investimentos estruturantes, configura um cenário que merece análise detalhada.
Os dados oficiais do SIOPS revelam consistência no cumprimento das metas constitucionais. Em 2022, o Piauí aplicou 15,59% de sua receita própria em Ações e Serviços Públicos de Saúde (ASPS) — 3,59 pontos percentuais acima do mínimo de 12% estabelecido pela Lei Complementar 141/2012. Nos anos seguintes, os percentuais foram 14,05% em 2023, 13,72% em 2024 e 14,83% em 2025 (dados até o 5º bimestre, com fechamento previsto para dezembro).
Traduzindo em valores absolutos, o estado investiu R$ 1,37 bilhão em saúde no segundo quadrimestre de 2024 (até agosto), conforme relatório apresentado pelo secretário da Fazenda, Emílio Júnior, à Assembleia Legislativa em setembro daquele ano. Já no segundo quadrimestre de 2025, esse valor chegou a R$ 1,56 bilhão — um aumento nominal de aproximadamente 14%.
O investimento per capita, que mede quanto o estado aplica por habitante, partiu de R$ 779,08 em 2022 e atingiu R$ 922,35 em 2024, seu pico no período analisado. Os dados parciais de 2025 (R$ 770,59) referem-se apenas ao 5º bimestre, não permitindo comparação direta com os anos anteriores.
Paralelamente aos investimentos estaduais, o governo federal anunciou em outubro de 2025, durante visita do ministro da Saúde Alexandre Padilha a Teresina, repasse de R$ 230 milhões para fortalecer o SUS no Piauí. O recurso integra o programa Agora Tem Especialistas: R$ 160 milhões anuais irão para recomposição do Teto MAC (Média e Alta Complexidade), com impacto de R$ 53,3 milhões ainda em 2025; R$ 21,1 milhões financiarão a habilitação de novos serviços; e R$ 4,5 milhões reforçarão o Hospital São Marcos, referência em oncologia pediátrica com 49% dos leitos do SUS no estado nessa especialidade.

O contexto fiscal favorável sustenta essa expansão. Segundo dados apresentados pela Secretaria da Fazenda e pela Secretaria do Planejamento (Seplan) em audiência pública na Alepi em outubro de 2025, o Piauí cumpriu todas as metas fiscais exigidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal no segundo quadrimestre do ano.
Mais que isso: o estado lidera o ranking nacional de investimentos públicos. Com taxa de 18,2% da Receita Corrente Líquida (RCL) aplicada em investimentos, o Piauí supera todos os demais estados brasileiros, conforme a 2ª edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, publicado em outubro de 2025 pelo Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários Estaduais de Fazenda) em parceria com o Centro Celso Furtado.

"O Piauí cumpre as metas fiscais estabelecidas pela LRF e ainda é o estado que mais realizou investimento público no Nordeste e no Brasil, além de ser referência no quesito responsabilidade na gestão fiscal", afirmou o secretário Emílio Júnior durante a prestação de contas.
Os números fiscais são sólidos. O Executivo estadual registrou despesa com pessoal de 38,77% da RCL no segundo quadrimestre de 2025 — bem abaixo do limite de 49%. Os demais poderes também respeitaram seus limites: Legislativo (2,45% de um teto de 3%), Judiciário (3,92% de 6%) e Ministério Público (1,33% de 2%).
A dívida consolidada líquida do estado está em 50,76% da RCL, distante do limite de 200%. Pela segunda vez consecutiva, o Piauí obteve classificação B+ na Capag (Capacidade de Pagamento), avaliação do Tesouro Nacional que habilita o estado a contrair empréstimos com garantia da União. E pelo terceiro ano seguido, conquistou nota A — a máxima — no Ranking da Qualidade da Informação Fiscal e Contábil.
Nas áreas constitucionais, o cumprimento é igualmente rigoroso. Em educação, o estado aplicou 24,75% da receita de impostos e transferências até o segundo quadrimestre de 2025 (o mínimo é 25% ao ano, a ser fechado em dezembro). O investimento saltou de R$ 2,26 bilhões no segundo quadrimestre de 2024 para R$ 2,69 bilhões no mesmo período de 2025.

A expansão física da rede estadual de saúde apresenta dados concretos. Apenas em 2024, mais de 200 novos leitos foram instalados em hospitais regionais. O Hospital Regional Tibério Nunes, em Floriano, recebeu 80 leitos, com previsão de mais 68 na segunda etapa da ampliação. Em Picos, o novo hospital regional entrou em funcionamento gradual com 60 leitos de enfermaria e 10 de UTI, enquanto o Hospital Regional Justino Luz ganhou 18 leitos pediátricos. No litoral, o Hospital Estadual Dirceu Arcoverde, em Parnaíba, incorporou 39 leitos à sua estrutura.
A Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, com investimento de R$ 136 milhões (R$ 86 milhões estaduais e R$ 50 milhões federais), representa a maior obra de infraestrutura do período. Com 286 leitos, sendo 115 destinados à terapia intensiva, incluindo 30 leitos de UTI neonatal, a unidade consolida-se como referência estadual para gestantes de médio e alto risco.
O Plano de Expansão da Rede de Média e Alta Complexidade, lançado em 2023 com investimento previsto de R$ 602,5 milhões, estabeleceu como meta a descentralização dos serviços especializados. O plano abrange os 11 territórios de saúde e prevê implantação de UTIs, maternidades de alto risco e ambulatórios de especialidades em 16 cidades distribuídas nas quatro macrorregiões, com 2/3 dos recursos oriundos do tesouro estadual.

A estratégia de mutirões cirúrgicos ganhou escala progressiva. Em 2022, mais de 15 mil cirurgias de catarata foram realizadas em caráter regional. O número subiu para 27.101 procedimentos aprovados em 2023, com cobertura expandida. Em 2024, foram 28.364 cirurgias e 35.454 consultas oftalmológicas, cobrindo pela primeira vez a totalidade dos 224 municípios piauienses. Apenas nos dois primeiros meses de 2024, 40% da meta foi cumprida: 11.588 cirurgias e 14.486 consultas. Os procedimentos foram descentralizados para hospitais regionais em todos os territórios de saúde.

Os seis caminhões da mamografia móvel, implantados em maio de 2023, realizaram 66.931 exames em 187 municípios no primeiro ano de operação. Em 2024, foram 41.141 exames nos mesmos municípios, totalizando mais de 85 mil mamografias desde o início do programa. Cada veículo tem capacidade para 80 exames diários e atende prioritariamente mulheres de 40 a 69 anos em áreas identificadas com vazios assistenciais.

O Teste do Pezinho registrou expansão expressiva: 262 mil exames liberados em 2023, crescimento de 75,7% em relação a 2022. A ampliação permite diagnóstico precoce de doenças congênitas em recém-nascidos.
O Programa Piauí Saúde Digital representa talvez a inovação mais significativa do período. Iniciado em abril de 2023 como piloto nos municípios de Piripiri e Lagoa de São Francisco, o programa expandiu para 112 localidades até julho de 2024, com meta de alcançar 222 municípios.
Em outubro de 2025, durante cerimônia que contou com a presença do ministro da Saúde Alexandre Padilha e do governador Rafael Fonteles, o programa celebrou a marca de 1 milhão de atendimentos. "No dia de hoje, o Piauí se consolida como a maior referência em saúde digital do Brasil, do Sistema Único de Saúde, desse que é o maior sistema de saúde do mundo", afirmou Padilha. "Mais do que 1 milhão de atendimentos, estamos falando de 1 milhão de vidas que tiveram mais qualidade de vida, laudos mais rápidos."
O programa oferece consultas de clínica geral 24 horas por dia, sete dias por semana, além de atendimentos em 11 especialidades: dermatologia, ginecologia, cardiologia, psiquiatria, endocrinologia, pediatria, neurologia, nutrição, psicologia, urologia e ortopedia. Opera através de uma rede integrada de mais de mil pontos, englobando Unidades Básicas de Saúde, policlínicas, hospitais e centros de diagnóstico.
Seis territórios de saúde já contam com cobertura: Cocais, Carnaubais, Chapada Vale do Rio Itaim, Vale do Rio Guaribas, Chapada das Mangabeiras e Entre Rios. O Piauí registra mais de 41 milhões de registros na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), consolidando-se como destaque em inovação digital.
Durante a mesma solenidade, o ministro anunciou que, a partir de outubro de 2025, 97% dos municípios piauienses — todos que solicitaram ao governo federal — receberiam kits de telessaúde do programa Agora Tem Especialistas para reforçar a estrutura digital no estado.

Antônio Luiz Soares chegou à Secretaria de Estado da Saúde trazendo na bagagem uma característica pouco comum em pastas tão politicamente sensíveis: a formação de auditor fiscal de carreira. Sua trajetória profissional no serviço público, marcada pela familiaridade com orçamentos, controle de gastos e mecanismos de fiscalização tributária, moldou um estilo de gestão que prioriza números, metas e cumprimento de prazos.

Diferentemente de secretários com perfil político tradicional ou médicos com carreiras hospitalares, Antônio Luiz não veio das fileiras da assistência direta nem das articulações parlamentares. Veio da máquina administrativa do estado, do lado de quem fiscaliza e controla contas públicas. Esse histórico explica, em grande medida, o rigor com que a Sesapi tem mantido os percentuais constitucionais acima dos mínimos exigidos e a ênfase em obras concluídas — não apenas anunciadas.
A relação de confiança com o governador Rafael Fonteles não é acidental. Fonteles, que também passou pela Secretaria da Fazenda antes de assumir o Executivo estadual, compartilha com Antônio Luiz uma linguagem comum: a da gestão fiscal, dos indicadores, das metas quantificáveis. Ambos têm formação voltada para administração pública e histórico em áreas de controle. Essa afinidade técnica traduziu-se em autonomia para implementação de políticas de médio e longo prazo, sem as descontinuidades frequentes que marcam secretarias de saúde país afora.
Antônio Luiz caracteriza-se por comunicação direta, sem floreios, e priorização de entregas concretas. Seu foco recai sobre cumprimento de cronogramas de obras — como a Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, concluída em outubro de 2023 —, manutenção rigorosa do equilíbrio fiscal e fortalecimento de parcerias intermunicipais através da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), fórum que reúne gestores estaduais e municipais para pactuação de políticas.

Não se trata de um gestor voltado para protagonismo midiático. Raramente concede entrevistas espontâneas ou busca visibilidade pessoal. As aparições públicas concentram-se em entregas objetivas: inaugurações de hospitais, anúncios de mutirões, apresentação de dados em audiências públicas. Essa sobriedade de perfil, que poderia ser interpretada como distanciamento, na prática reflete alinhamento com o estilo do próprio governador — ambos avessos a excesso de exposição e focados em resultados mensuráveis.
A confiança de Fonteles em Antônio Luiz manifesta-se na permanência e na continuidade das diretrizes. Enquanto muitos estados testemunham rotatividade anual em secretarias de saúde, o Piauí manteve a mesma liderança técnica desde o início do mandato. Essa estabilidade permitiu que planos plurianuais — como o de expansão da rede de média e alta complexidade, com seus R$ 602,5 milhões e prazo de três anos — fossem iniciados com expectativa real de conclusão pela mesma equipe que os desenhou.
A equipe de análise do Lupa1 identificou cinco eixos que caracterizam a gestão de Antônio Luiz à frente da Sesapi entre 2022 e 2025. Não se trata de retórica oficial nem de discurso de campanha, mas de padrões observáveis nas decisões, nos investimentos e na arquitetura das políticas implementadas:
A manutenção sistemática de percentuais acima do mínimo constitucional (12%) — variando entre 13,72% e 15,59% no período — revela disciplina orçamentária consistente. Mas o dado mais revelador está na evolução paralela das receitas. A receita própria do estado cresceu 15% em 2022, 13% em 2023 e 10,55% em 2024. Esse aumento da arrecadação criou margem fiscal que permitiu elevar os investimentos em saúde sem comprometer o equilíbrio das contas estaduais.
A aparente queda percentual entre 2022 (15,59%) e 2024 (13,72%) não reflete corte de investimentos — os valores absolutos cresceram. Reflete que a receita própria cresceu mais rápido que os gastos em saúde, gerando espaço fiscal. Esse comportamento indica gestão que compreende saúde não como gasto isolado, mas como parte de um orçamento integrado onde equilíbrio geral sustenta investimentos setoriais.
Antônio Luiz, com formação de auditor fiscal, parece aplicar lógica simples: primeiro, garantir que o estado como um todo tenha saúde financeira (despesa com pessoal em 38,77%, dívida em 50,76%, receitas crescentes). Depois, dentro dessa margem segura, ampliar investimentos sociais. O Piauí gastou 14,34% da receita em saúde no segundo quadrimestre de 2025 — não os 12% mínimos, mas também não comprometeu limites de endividamento nem de pessoal. É gestão que busca máximo possível dentro do prudente, não máximo absoluto arriscando desequilíbrio.
O Plano de Expansão da Rede de Média e Alta Complexidade (R$ 602,5 milhões) não distribui recursos uniformemente. Concentra investimentos em polos estratégicos: Floriano na macrorregião Cerrado, Picos no semiárido, Parnaíba no litoral, além de Teresina no Meio Norte. A lógica não é construir um hospital em cada município — inviável e ineficiente — mas criar centros regionais que reduzam a necessidade de deslocamento até a capital.
Os mais de 200 leitos adicionados em 2024 seguem essa distribuição: 80 em Floriano, 60 em Picos, 39 em Parnaíba, 18 em hospitais especializados. São cidades-polo de macrorregiões, não escolhas aleatórias. A estratégia busca resolver problema histórico do SUS piauiense: filas em Teresina porque nada funciona no interior, gerando sobrecarga na capital e dificuldade de acesso para quem mora longe.
Os dados de ampliação hospitalar regional, quando cruzados com os territórios de saúde (11 no total), mostram que cada macrorregião ganhou pelo menos uma estrutura ampliada ou nova. Não há território de saúde sem investimento no período. É descentralização planejada, não apenas discurso.
O Piauí tem 251 mil km² e 224 municípios. Levar médicos especialistas a todos é matemática impossível. O Piauí Saúde Digital resolve esse impasse: leva atendimento sem deslocar profissionais fisicamente. Os números validam a estratégia: 1 milhão de atendimentos em menos de três anos, 112 municípios conectados, 11 especialidades disponíveis, funcionamento 24/7 na clínica geral.
Mais: o programa integra-se com estruturas físicas. Os caminhões da mamografia levam os exames; os laudos vêm por telemedicina. As UPAs e policlínicas fazem triagem; casos complexos passam por teleconsulta antes de encaminhamento físico. É tecnologia como ferramenta de racionalização do sistema, não como fim em si mesma.
O reconhecimento federal — com Padilha afirmando que o Piauí é "a maior referência em saúde digital do Brasil" no SUS — e o anúncio de kits de telessaúde para 97% dos municípios solicitantes indicam que a estratégia ganhou escala e viabilidade de sustentação com recursos federais. Começou como iniciativa estadual e tornou-se modelo replicável nacionalmente.
A diferença entre mutirão político e política pública está na repetição sistematizada. As cirurgias de catarata começaram em 2022 (15 mil), cresceram em 2023 (27.101) e atingiram todos os 224 municípios em 2024 (28.364). Mais: 40% da meta de 2024 foi cumprida nos dois primeiros meses do ano, indicando planejamento logístico robusto, não improviso de última hora.
Os caminhões da mamografia seguem padrão similar: implantação em 2023, cobertura de 187 municípios mantida em 2024, mais de 85 mil exames acumulados. Não são campanhas eleitorais pontuais que inflam números em ano de eleição e somem depois. São políticas que se repetem anualmente, com metas crescentes e cobertura territorial planejada.
A expansão do Teste do Pezinho (75,7% em um ano) e do programa de educação continuada (1.120 vagas) completam esse perfil: ações que estruturam capacidades permanentes, não que geram manchetes temporárias. Antônio Luiz parece preferir construir sistemas que funcionem sem depender dele a criar iniciativas que morrem quando o gestor sai.
O Plano Estadual de Saúde 2024-2027, publicado oficialmente e submetido à aprovação em instâncias colegiadas (Conferência Estadual de Saúde, CIB), estabelece metas mensuráveis e prazos. Não é carta de intenções genérica. Define cinco eixos estratégicos: descentralização da atenção especializada, cobertura alta da atenção primária, planejamento regional integrado, integralidade e governança do sistema, qualificação da Rede de Atenção à Saúde.
Cada eixo desdobra-se em objetivos, metas e indicadores de acompanhamento. O Projeto Cuidar Piauí, lançado em 2024, embora ainda inicial, busca institucionalizar melhorias através de metodologia participativa com servidores. É tentativa de criar cultura de melhoria contínua, não depender de ordens verticais.
O investimento em educação continuada (1.120 vagas em 2023 para profissionais da rede), segundo a própria Sesapi o maior do Brasil, busca qualificar quadros permanentes. São medidas que tentam transformar melhorias em rotinas institucionais, não em feitos pessoais de um secretário.
Antônio Luiz não governa sozinho. A estrutura da Sesapi divide-se entre superintendências e diretorias estratégicas, cada uma com atribuições claramente delimitadas — modelo que reflete a preferência do secretário por organogramas definidos e cadeias de comando precisas.
Dirceu Campêlo, superintendente de Gestão da Rede de Média e Alta Complexidade (SUGMAC), ocupa posição central. Sob sua coordenação estão todos os hospitais estaduais: o Hospital Getúlio Vargas, a maternidade, o hospital psiquiátrico e as unidades regionais do interior. Também responde pela regulação de leitos — mecanismo que define quais pacientes ocupam quais vagas no sistema. Seu nome aparece recorrentemente nos anúncios de ampliação de infraestrutura, inaugurações de alas hospitalares e lançamento de mutirões cirúrgicos. É, na prática, o gestor da "linha de frente" hospitalar.
Superintendente de Gestão da Rede de Média e Alta Complexidade da Secretaria de Saúde, Dirceu Campelo. Foto: TV Lupa1 Leila Santos, superintendente de Atenção à Saúde e Municípios (SUPAT), gerencia a pasta com maior capilaridade territorial. Sua área cuida da atenção primária — as Unidades Básicas de Saúde espalhadas pelos 224 municípios —, vacinação e, crucialmente, do relacionamento direto com as secretarias municipais de saúde. É o elo entre o estado e o "SUS na ponta", onde a população efetivamente acessa o sistema. Cabe à SUPAT negociar com prefeitos, orientar gestores municipais e garantir que recursos federais repassados cheguem aos destinos corretos.

Jônatas Melo Neto, superintendente de Gestão da Administração (SUGAD), comanda a retaguarda logística. Licitações, contratos, compras, gestão de pessoal, controle de frotas, manutenção predial — toda a "máquina" administrativa que sustenta hospitais e unidades de saúde passa por sua superintendência. Numa secretaria que movimenta mais de R$ 1,5 bilhão por quadrimestre, a eficiência administrativa determina se recursos aprovados efetivamente se convertem em serviços prestados. Atrasos em licitações ou falhas em contratos podem paralisar obras inteiras.

Tatiana Chaves, diretora da Vigilância Sanitária (DIVISA), chefia uma das áreas mais técnicas e de maior interface regulatória. A DIVISA fiscaliza serviços de saúde públicos e privados, aprova funcionamento de clínicas e hospitais, monitora qualidade de produtos e medicamentos. Tatiana é uma das gestoras mais longevas da pasta, tendo atravessado diferentes governos — atributo que confere à diretoria continuidade institucional independente de ciclos políticos.
Clécio Moreira Lopes, diretor de Planejamento (DUP), estrutura as metas de longo prazo. Responsável por desenhar o Plano Estadual de Saúde 2024-2027 e organizar o orçamento para cumprimento dessas metas, Clécio alinha as diretrizes do Plano Plurianual (PPA) estadual com as deliberações da Conferência Estadual de Saúde e as pactuações na CIB. É quem transforma intenções em números orçamentários e cronogramas exequíveis.
Essa equipe — com perfis predominantemente técnicos, baixa rotatividade e atribuições bem demarcadas — reflete a preferência de Antônio Luiz por gestão organizada, hierarquias claras e foco em execução. Não há sobreposição de competências nem disputas por protagonismo. Cada superintendente e diretor sabe exatamente pelo que responde.
Paralelamente aos investimentos em saúde, o Piauí vem se consolidando como referência em atração de investimentos externos. Dados da Seplan apontam que, entre 2023 e 2025, o estado participou de 15 missões internacionais em 21 países, resultando em mais de R$ 49 bilhões em negócios e acordos estratégicos nos setores de energias renováveis, mineração, tecnologia, logística e educação.
Essa diversificação econômica sustenta a base fiscal que permite investimentos sociais. Um estado que atrai investimentos privados amplia sua arrecadação sem aumentar impostos, gerando margem para educação e saúde. A liderança nacional em investimentos públicos (18,2% da RCL) torna-se sustentável quando acompanhada de crescimento econômico privado.
O orçamento de 2025, aprovado pela Assembleia Legislativa, prevê R$ 23,1 bilhões, dos quais R$ 3,09 bilhões destinam-se à saúde. O valor representa continuidade do patamar de investimentos dos anos anteriores, ajustado pela inflação e pelo crescimento vegetativo da demanda. A previsão inclui reajuste linear de 5,35% para servidores públicos estaduais, medida que impacta positivamente também os profissionais da saúde.
Apesar dos avanços mensuráveis, desafios estruturais históricos da saúde pública piauiense não foram eliminados. A dependência de recursos federais permanece elevada — 97,94% das transferências para saúde em 2025 têm origem na União, segundo dados do SIOPS. A redução desses repasses, como ocorrida em 2025 (apenas 25% do volume de 2024), impacta diretamente a capacidade de manutenção de serviços.
A rotatividade e déficit de profissionais especializados, especialmente no interior, continuam pressionando o sistema. O anúncio de concurso público para a Sesapi, com mil vagas previstas e edital publicado em dezembro de 2025, busca endereçar parte desse problema, mas a efetividade dependerá da atratividade das remunerações e condições de trabalho oferecidas.
A Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, embora inaugurada, ainda opera em fase de consolidação, assim como diversos equipamentos do Plano de Expansão da Rede de Média e Alta Complexidade. A distância entre inauguração física e plena operacionalização, com todos os serviços funcionando, costuma ser significativa em obras de saúde.
O orçamento de 2025 prevê R$ 3,09 bilhões para a saúde estadual, valor que representa continuidade do patamar de investimentos dos anos anteriores, ajustado pela inflação e pelo crescimento vegetativo da demanda. A perspectiva de novos aportes federais, como os R$ 230 milhões anunciados em outubro, podem ampliar essa capacidade.
A consolidação do Piauí Saúde Digital em todos os municípios e a integração com sistemas federais de informação posicionam o estado em patamar tecnológico diferenciado. A expansão regional de serviços especializados, se concluída conforme cronograma do Plano de R$ 602 milhões, pode efetivamente reduzir as assimetrias históricas entre capital e interior.
A gestão técnica, característica do perfil de Antônio Luiz, apresenta vantagens de previsibilidade e cumprimento de metas, mas também limitações na capacidade de comunicação direta com a população e de engajamento político para defesa do orçamento setorial. A permanência dessa linha de gestão dependerá, em última análise, da sustentação política do governador Rafael Fonteles e da continuidade do cenário fiscal favorável.
Os números indicam avanços concretos. O desafio está em transformar ampliação de infraestrutura e expansão tecnológica em melhoria percebida pela população no cotidiano de acesso ao sistema público de saúde.
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Reportagem baseou-se em dados oficiais do SIOPS, relatórios da Secretaria da Fazenda do Piauí, audiências públicas na Assembleia Legislativa, documentos da Sesapi e informações do Ministério da Saúde. Todas as fontes estão disponíveis para consulta pública.
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