Por Emanuel Oliveira
28 de outubro de 2025 às 10:18 ▪ Atualizado há 3 meses
O Piauí acaba de registrar um feito histórico na agenda ambiental. No primeiro semestre deste ano, o desmatamento ilegal caiu 67,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), com base em dados dos satélites Landsat e Sentinel. Foram mais de 20 mil hectares de área nativa preservados.
Desmatamento ilegal no Piauí registra queda de 67,9% no primeiro semestre de 2025 - Foto:: Divulgação
Conforme os números, entre janeiro e junho de 2024, foram desmatados ilegalmente pouco mais de 29,6 mil hectares. Já neste ano, o desmatamento despencou para menos de 9,6 mil hectares — o melhor desempenho do estado nos últimos quatro anos.
A tendência de queda se manteve mesmo dentro de 2025. Do primeiro para o segundo trimestre, o desmatamento caiu de 4,9 mil hectares para 4,6 mil, uma redução de 6,2%.
O resultado, segundo o secretário estadual do Meio Ambiente, Feliphe Araújo, é fruto de uma política pública consistente, baseada em tecnologia, monitoramento permanente e rigor na fiscalização.
“Estamos trabalhando de forma criteriosa na análise de processos, autorizando apenas o que a lei permite — em casos de utilidade pública, interesse social ou atividades de baixo impacto ambiental. Além disso, intensificamos as operações de fiscalização em campo e via satélite. O resultado é claro: o Piauí está conseguindo reduzir de forma consistente o desmatamento ilegal e proteger ainda mais nossas áreas nativas”, destacou Feliphe.
O secretário lembra que o estado tem uma responsabilidade ambiental de peso. O Piauí ainda preserva grandes áreas de Mata Atlântica em estágio avançado de conservação e desempenha papel estratégico na proteção do Cerrado, um dos biomas mais ameaçados do país.
“Nosso compromisso é manter esse patrimônio natural de pé, garantindo que desenvolvimento econômico e preservação caminhem juntos”, completou.
Mas os dados positivos não significam que o desafio está superado. A gerente do Centro de Geotecnologias Fundiária e Ambiental (CGEO) da Semarh, Aline Araújo, faz um alerta importante: os meses de setembro e outubro costumam registrar aumento na pressão sobre a vegetação nativa.
“Os índices até o momento são animadores, no entanto, os meses de setembro e outubro sempre registram mais desmatamento, pois é quando os agricultores fazem o preparo da terra para o plantio. É tanto que, paralelo a isso, aumenta o número de queimadas. Por isso mesmo é que a gente proibiu o uso do fogo nesse período. Agora, com o início das chuvas, especialmente no Sul do estado, muitos produtores aproveitam para preparar o solo. Então, olhando o ano todo, a gente vai ter um resultado mais efetivo depois desse período”, explica Aline.
Mesmo com esse comportamento sazonal, o panorama é promissor. A queda expressiva no desmatamento e o fortalecimento das ações de comando e controle consolidam o Piauí como referência na gestão ambiental do Nordeste.
O estado mostra, na prática, que políticas ambientais bem estruturadas, aliadas ao uso inteligente da tecnologia e à presença efetiva do poder público, são capazes de frear o desmatamento e proteger o futuro.
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