Por Thawan Melo
31 de dezembro de 2025 às 14:07 ▪ Atualizado há 5 meses
O Piauí será beneficiado pelos investimentos do Ministério da Saúde para fortalecer a produção de medicamentos, com a modernização do parque tecnológico da hemorrede pública brasileira. O estado receberá 23 novos equipamentos de alta tecnologia, em um investimento total de R$ 3,1 milhões, que irão qualificar os serviços de hemoterapia nos municípios de Floriano, Parnaíba, Picos e Teresina.
Foto: Ascom Hemopi A iniciativa faz parte de ação do Ministério da Saúde, que vai entregar 604 equipamentos para hemocentros de todo país. A modernização vai garantir um aumento inicial de 30% no aproveitamento do plasma, gerando economia anual de R$ 260 milhões ao Governo Federal, com a redução da necessidade de importação de medicamentos.
O diretor geral do Hemopi, Rafael Alencar, destaca a importância do investimento federal para o fortalecimento da hemorrede estadual.
“A chegada desses equipamentos pelo Novo PAC representa um avanço significativo para o Hemopi. Todas as nossas unidades de Teresina, Parnaíba, Picos e Floriano serão beneficiadas. Essa modernização do parque tecnológico reforça nossa capacidade de armazenamento do plasma, que é utilizado pela Hemobrás na produção de medicamentos essenciais. Estamos falando de insumos como imunoglobulina, albumina e fatores de coagulação VIII e IX, fundamentais para pacientes com hemofilia, por exemplo. É um investimento que contribui para o fortalecimento do SUS, reduzindo a dependência de produtos importados”, afirma.
Foto: Ascom Hemopi É para atender pacientes como o estudante universitário, José Vitório Lemos, que recebe mensalmente o fator de coagulação VIII para o tratamento profilático da hemofilia tipo A, que o Brasil quer aumentar a produção de plasma e a independência em relação ao mercado externo.
“Eu faço uso do fator VII 3 vezes por semana quando tenho sangramentos espontâneos. Poder fazer esse tratamento pelo SUS é libertador. A profilaxia me permite ter uma vida normal, sem as limitações impostas pela doença”.
O plasma é a parte líquida do sangue que, ao ser processada, se transforma em medicamentos essenciais para o cuidado de pacientes com hemofilia, doenças imunológicas, outras condições de saúde e também para cirurgias de grande porte.
Atualmente, apenas 13% do plasma coletado no país por meio de doações voluntárias é utilizado em transfusões, o que significa que 87% ainda podem ser destinados à produção de hemoderivados. Isso reforça a importância dos novos equipamentos, já que sem plasma adequadamente armazenado, não há matéria-prima suficiente para se produzir medicamentos.
A modernização da infraestrutura de congelamento está alinhada ao objetivo do Ministério da Saúde de garantir mais segurança, qualidade e eficiência na manipulação dos hemocomponentes utilizados em todo o território nacional. Para o Piauí, a iniciativa reforça a capacidade de resposta do Hemopi diante da crescente demanda transfusional e fortalece o papel do hemocentro como referência estratégica dentro do sistema público de saúde.
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