09 de dezembro de 2025 às 10:30 ▪ Atualizado há 2 meses
O cantor e compositor, Dudu Nobre, é a atração nacional da noite de hoje, dentro do Projeto Seis e Meia, no Theatro 4 de Setembro. Encerrando a programação 2025, sua excelência, o samba, vai festejar com a plateia mais fiel dos programas de circulação de bens culturais da Secult. É casa cheia com coro apaixonado, que sabe a letra e canta afinadamente. Auxílio luxuoso que emociona os artistas. Para abrir a noite, Samba no Coreto, que certamente foi a banda mais popular do ano. Queridinha dos gestores de Cultura e do público, principalmente.

O calendário da eleição mais polêmica do ano, CEC, está chegando ao fim. Ontem, 8, encerrou o prazo para interpor recursos de candidatos e de entidades. Cujo resultado está previsto para sair amanhã. Entretanto, um dos concorrentes, Rondinele Santos, que representa a Cultura Popular, denunciava as dificuldades enfrentadas para acessar a plataforma e acionar o espaço para expor suas justificativas. Pode haver mudança na data da eleição prevista para o próximo dia 12/12. Está publicado no instagram: @rondinelesantos13
Rondinele Santos concorre pela Cultura Popular. Foto: divulgação
Segundo o candidato, desde a abertura do prazo de recursos, 4/12, “o sistema não dispõe de campo para anexar documentos, apresenta mensagens de erro após o envio e não confirma o protocolo de recursos”. Santos confirma que várias entidades enfrentam o mesmo problema, o que desestabiliza o processo eleitoral, que já é bem tumultuado. Aparentemente, sem grande repercussão. Internamente, ferve na cena artístico-político-cultural. Artistas e gestão travam uma luta silenciosa.
Página da plataforma de eleição do CEC não estaria aceitando recursos. Foto: print de celular.
Mas nem tanto, o candidato Rondinele complementou em alto e bom som: “Mesmo seguindo orientação para envio de links via Google Drive, o sistema continua falhando, e o suporte não responde, prejudicando o direito de ampla defesa das entidades”. Diante de um provável desequilíbrio no resultado do pleito, todas as ocorrências que impedem o fluxo de direitos de um processo justo e transparente foram relatadas ao Ministério Público do Estado do Piauí, para que tome as providências cabíveis.
Na publicação, datada de ontem, Rondinele concluiu com um pedido, “Solicita-se a suspensão dos prazos e a reabertura do período de recursos após a correção do sistema”. Em e-mail enviado ao MPPI e ao TCE, o candidato pede a impugnação do edital de eleição do CEC para o triênio 2026/2028. Na juntada, provas audiovisuais mostram o passo a passo filmado da tentativa de acesso na plataforma disponibilizada pela Secult às inscrições e recursos, sem sucesso.
Candidato Rondinele encaminhou solicitação ao MPPI e TCE. Foto: print de celular
Santos divulga texto onde posiciona-se oficialmente, com o título: Manifesto pela Transparência no Conselho Estadual de Cultura do Piauí. “Não podemos mais silenciar diante da falta de transparência e de respeito no processo de eleição do Conselho Estadual de Cultura do Piauí. Artistas, produtores e fazedores de cultura têm sido desconsiderados, enquanto vozes das periferias, zonas rurais e comunidades tradicionais seguem sendo excluídas. O que deveria ser um processo democrático tem se transformado em um espaço de favorecimentos e decisões de bastidores. Exigimos transparência, fiscalização e respeito. Ocupamos por direito, não por favor. Seguiremos firmes, com fé e ancestralidade.”
Não bastasse a contestação e a insatisfação no seio da classe artística, por não sentir-se representada com a formatação engessada do Conselho, o processo eleitoral ignora as manifestações em contrário e prossegue na manutenção de um símbolo de atraso, que nasceu em plena ditadura militar. O desgaste é totalmente desnecessário e evitável. Somente a sociedade civil organizada, que represente os artistas e demais profissionais do segmento, tem condições de conclamar e promover a edificação de Conselho Estadual de Política Cultural.
O dramaturgo Aci Campelo, agiu artisticamente e publicou um belo texto sobre as reminiscências e presente tempo de fechamentos. “Conheço a Praça Pedro II desde os anos setenta. Ali no seu entorno existiam vários botecos, como o Buraco do Toin, o Bar do Cuspe, o Porradinha e logo depois o Art Bar. Era uma festa! Os bares foram acabando e a Praça Pedro II ficando triste. Tristíssima! Agora imaginem se tirarem o Art Bar da Praça Pedro II, como ficará a praça quando as luzes acenderem? Ficará o c* do mundo. Perde a Praça, os bebuns, os boêmios, os poetas, os artistas, os loucos. Mas perde principalmente a cidade, a sua memória, e a sua tradição. Mas quem vai se incomodar com isso?”, escreveu.
Aci Campelo publicou protesto em forma de crônica. Foto: reprodução redes sociais
“Eu, você, nós que gostamos do Art Bar e que gostamos de ouvir música ao vivo, bater papo, criticar, louvar, criar! O Art Bar é de todos nós. Quando ele sair dali, se sair, e o governo é quem manda, e os secretários é que mandam, e eles querem que saia, e o Art Bar vai sair porque eles não escutam ninguém, ainda que o governo seja do PT. Uma pena! Então, fico pensando. O que será do Theatro 4 de Setembro sem o Art Bar. Uma tristeza. O c* do mundo. Coclamo a todos que amam a tradição, a herança cultural, a memória da cidade. Vamos resistir. Queremos o Art Bar no seu lugar!”, concluiu o escritor.
Café Art Bar completou 50 anos em setembro. Foto: divulgação
Há uma mobilização em campo e um convite circulando: “Os integrantes do grupo CADA LOUCO É UM EXÉRCITO e do FÓRUM DE ARTE E CULTURA DO PIAUÍ fazem no próximo dia 17/12/2025, a partir das 18h, SHOW-PROTESTO contra o fechamento do CAFÉ ARTBAR, reduto tradicional de poetas, cantores e artistas da cultura do Piauí, na Praça Pedro II, Centro de Teresina”. A convocação circula em grupos de zap ligados à Cultura piauiense, com bastante adesões.
Vai ser difícil encontrar algum artista que se posicione contra o projeto de uma Escola de Audiovisual. Todos são à favor. Agora fazer isso no Cine Rex e não considerar o mal-estar decorrente da medida impensada, parece pouco estratégico. Retirar o Café Art Bar, lugar onde está há 50 anos, foi um ato infeliz. Finalmente, ontem, Didi (o garçom), confirmou que o espaço fez meio século em setembro. O presente que recebe da gestão é o despejo. Sem ouvir a classe artística, sem ouvir os maiores interessados, vai passando como um rolo compressor por cima de símbolos e valores caros a toda uma categoria. Que forma terrível de ser tornar inesquecível.
De segunda a sexta, um resumo dos fatos que importam, direto no seu e-mail e de forma gratuita.
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