17 de dezembro de 2025 às 12:27 ▪ Atualizado há 2 meses
O Carnaval é uma festa popular. Talvez a conexão com a válvula de escape que Sigmund Freud propunha, numa escala proporcional. O que seria para apenas um indivíduo, a sociedade toma para si, como medida para extravasar o acúmulo das pressões sociais. Coisa que todo o masking do mundo não é capaz de dar conta. Importado da cultura europeia, que ativara a celebração milenarmente. O transformamos. O Carnaval das GRES do Rio de Janeiro é o maior espetáculo a céu aberto da Terra.
Blocos de ruas espalhados pela cidade fazem a festa, como o Capote da Madrugada. Foto: divulgação
Na figura do(a) carnavalesco(a), vemos reunidas as linguagens que passam a desenvolver um novo propósito. É entretenimento, que atrai o turismo internacional. Mas, acima de tudo, é Cultura. Os enredos e sambas que contam histórias fantásticas, aproveitam de todo o talento e criatividade de artistas. Bailarinos, atores, artistas visuais, circenses, cineastas, músicos, escritores, entre outros ligados aos bastidores e áreas técnicas. Tudo preparado durante 1 ano para brilhar por pouco mais de uma hora. Porém, vai marcar a memória para sempre.
O Corso, que já foi o maior do mundo, não existe mais. Foto: reprodução redes sociais
Ontem, a Câmara Municipal de Teresina aprovou a LOA - Lei Orçamentária Anual, e a Plurianual, 2026/2029, da Prefeitura Municipal da capital. O relator da LOA, vereador Joaquim Caldas, revelou que “A prefeitura não teve condições de realizar o Carnaval, transferimos R$ 500 mil para a revitalização dos blocos de rua”. Ao todo, o orçamento da PMT para 2026 é de pouco mais de R$ 6 bilhões. Sendo mais de 50% para saúde e educação. Os recursos serão repassados por meio de emenda parlamentar.
Sambão manteve-se ativa por mais de 50 anos. Foto: reprodução redes sociais
Mais uma vez, as escolas de samba ficam de fora da programação cultural de Teresina. O último grande desfile aconteceu em 2016, na Avenida Marechal Castelo Branco, que querem que mude o nome para Advogada Esperança Garcia. São dez anos sem Ziriguidum, Skindô, Brasa Samba, Sambão, que naquele ano, fizeram uma exibição inesquecível, lotando as arquibancadas. Sempre deficitárias e dependentes de verbas públicas, desentenderam-se com quem as financiava e nunca mais as vimos em seu esplendor. Será que ainda veremos?
Grande campeã, a Ziriguidum elevou o nível da produção carnavalesca. Foto: reprodução redes sociais
A verba de R$ 500 mil vai servir para animar a cidade, que prefere pulverizar os recursos em pequenas quantidades e atingir uma ampla área de cobertura social. É mais estratégico para colher dividendos políticos a curto prazo. Corso e desfiles seguem fora do planejamento público. Não se vê pronunciamento da Fundação Monsenhor Chaves sobre o assunto e não veremos. Menos mal. Já teve gestor municipal de Cultura que afirmou não gostar de carnaval, num ataque de sincericídio que saiu muito caro.
O impasse segue. Orçamento para escola de samba seria milionário. O poder público não vai liberar a fundo perdido, sem contrapartida. Diferentemente de outros locais de maior tradição, que usam de sistemáticas que transformam cada agremiação em uma empresa social, trabalham o ano todo. Vão captando recursos de toda maneira e já foram à avenida sem apoio público, no Rio. Entretanto, todas elas mantêm projetos sociais atuantes em suas comunidades. Aqui não funciona do mesmo jeito, a dependência financeira do poder público é crônica e parece intransponível.
Creio que apenas com uma forma híbrida, unindo fontes de dinheiro privada e pública, seria possível revitalizar o Carnaval de Escolas de Samba, que já foi grandioso. Trabalhei como repórter e apresentador em transmissões belíssimas, que duravam horas e levavam um público enorme ao local de desfile. Era tão potente que o poeta Torquato Neto já foi letrista da Brasa Samba. Barras, Floriano também tinham suas escolas e desfiles. Parnaíba resiste bravamente até hoje. A Princezinha do Igaraçú venceu este ano com o enredo: “Eu Acredito em Você, e Você?”
O pessoal do grupo Cada Louco É Um Exército, que se abriga no zap, divulgava protesto para a tarde/noite de hoje. Dessa vez, o foco é o Café Art Bar, que deve mudar-se para o velho bar do Club dos Diários, que está desativado. A mudança será para a reforma do Cine Rex, que vai virar escola de audiovisual. Sendo escola, será proibida a comercialização de bebida alcoólica a pelo menos 100 metros do seu entorno. Aí está toda a celeuma. Os artistas não abrem mão de seu point, que resiste no mesmo lugar há mais de 50 anos.
Devido a problema técnico no bar, a manifestação prevista para iniciar às 17h, na Praça Pedro II, com diversos artistas de várias linguagens e palco aberto para manifestações de apoio, foi adiada para amanhã, no mesmo horário. Os divergentes apresentam-se para chamar a atenção da população. Totalmente independentes, angariaram fundos para a atividade por meio de vaquinha divulgada no boca a boca, sensibilizando os simpatizantes da causa. A previsão é que, caso queira retornar ao local após a reforma, o Café Art Bar só venderia lanches, sucos e refrigerantes, desfigurando e reduzindo sua carteira de clientes.
Café Arte Bar vai mudar-se para o Club dos Diários. Foto: Internet
O imbróglio envolvendo o cantor Zezé di Carmargo e o SBT mudou a programação da TV para a noite de hoje. Estava na grade o especial de Natal com o compositor sertanejo, mas o vídeo contrariado do artista pedindo para retirar o programa, que já tinha três cotas de patrocínio vendidas, vai render outro espetáculo. Além de responder pela insinuação que as filhas de Sílvio Santos estavam se “prostituindo”, a conta vai chegar sobre os valores estornados aos patrocinadores, o custo de produção, gravação e edição, que serão cobrados na Justiça.
Para substituir, será exibido episódio da Turma do Chaves, que nunca foi a público na televisão brasileira. Conforme divulga a emissora, o enredo gira em torno de uma festa na vila, com a participação de moradores, que acaba em confusão. Bem parecido com a vida real. As herdeiras do magnata Sílvio Santos, que sempre foi governista, fizeram uma festa para celebrar o lançamento do SBT News, o portal oficial de notícias do grupo. Convidaram as principais autoridades e lideranças políticas do país. Inconformado, o cantor desabafou. O líder dele, Bolsonaro, não foi. Se estivesse solto, provavelmente seria convidado.
Chaves foi escalado para substituir sertanejo. Montagem: Internet
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