27 de dezembro de 2025 às 12:41 ▪ Atualizado há 2 meses
O Ministério da Cultura postou em seu perfil no instagram, ontem, que foram concluídos os pagamentos às capitais do segundo ciclo da Política Nacional Aldir Blanc – PNAB. Ao todo, R$ 294 milhões foram injetados para fomentar não apenas na produção de bens culturais e outros encaminhamentos dentro do segmento, mas, principalmente, para promover um grande impulso na economia. Segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, cada real que chega via PNAB transforma-se em 7, mostrando o poder e a força da Indústria Cultural.
Ao todo, o Piauí foi contemplado com cerca de R$ 160 milhões da PNAB.
O Piauí vem recebendo valores maciços desde o primeiro ciclo, 2023/2024. Ao todo, R$ 58,38 milhões foram repassados. Divididos em R$ 31,47 milhões ao estado e R$ 26,69 milhões entre os 224 municípios. É muito dinheiro circulando no meio cultural. Como nunca antes aconteceu. Jamais um volume tão expressivo foi direcionado à ponta. A política de distribuição é norteada às comunidades tradicionais, povos originários, quilombolas, mulheres e LGBTQIAPN+.
O Fomento chega em todas as linguagens e todos os territórios. Foto: reprodução redes sociais
Entretanto, pouco se vê da produção oriunda dos investimentos milionários circulando. Faltou alguém pensar em uma forma da população ter acesso aos bens culturais produzidos. O Ministério da Cultura não se atentou em reunir o que a PNAB está proporcionando. Vou dar a ideia de graça. Já pensaram em desenvolver uma plataforma de circulação dos bens da PNAB? Com cada estado cuidando para colocar suas obras. Os consumidores teriam acesso aos filmes, às músicas e demais linguagens que foram contempladas com recursos e executadas.
Além de gerar um novo hype de consumo de bens culturais, a plataforma ArtBR (dando o nome por minha conta) seria uma nova forma de entretenimento popular e gratuito à população brasileira. Proporcionando transparência à PNAB, já que muita gente questiona para onde estão indo verdadeiramente os recursos. Vi autoridades falando que não veem os bens que foram produzidos com a verba pública. Pessoa ligada ao Conselho de Cultura do Piauí não crê que os projetos sejam realmente executados.
No segundo ciclo, 2025/2026, um acréscimo significativo. Quase dobra. Foram R$ 42 milhões a mais. Ao todo, o Piauí foi contemplado com R$ 100.091.586,02 (cem milhões, noventa e um mil, quinhentos e oitenta e seis reais e dois centavos). Divididos entre estado, capital e demais municípios. Os repasses acompanham uma tabela ordenada pela quantidade de habitantes. O estado do Piauí recebeu primeiro a sua parte e está com o dinheiro em cofre desde 8 de outubro deste ano. Ainda não se fala sobre lançamento de editais.
Investimento bilionário precisa de mais transparência na execução dos projetos. Foto: reprodução redes sociais
A capital também recebeu seu repasse. Teresina está com R$ 6.714.526,21 (seis milhões, setecentos e quatorze mil, quinhentos e vinte e seis reais e vinte e um centavos), mas nada foi dito sobre os editais. Em janeiro os recursos chegam aos municípios com mais de 200 mil habitantes. Parnaíba está prevista para ter sua verba em conta apenas em fevereiro. Ao todo, a capital do Delta vai receber R$ 1.220.074,67 (hum milhão, duzentos e vinte mil, setenta e quatro reais e sessenta e sete centavos).
A expectativa é que a Casa de Cultura receba verbas para ser restaurada via PNAB. Foto: reprodução redes sociais Até março, o Ministério da Cultura conclui a agenda de repasses dos recursos às cidades com as menores populações. Na lista dos municípios piauienses, Picos, que ainda vai receber R$ 584.931,04 (quinhentos e oitenta e quatro mil, novecentos e trinta e um reais e quatro centavos). A Princesa do Sul, Floriano, receberá um pouco menos. Ao todo, R$ 446.277,42 (quatrocentos e quarenta e seis mil, duzentos e setenta e sete mil e quarenta e dois centavos) chegam no começo do ano.
A Suíca Piauiense, Pedro II, vai receber R$ 283.488,90 (duzentos e oitenta e três mil, quatrocentos e oitenta e oito reais e noventa centavos). Na região sul, o berço da civilização americana, São Raimundo Nonato está previsto um repasse de R$ 293.339,29 (duzentos e noventa e três mil, trezentos e trinta e nove reais e vinte e nove centavos). Os critérios de repartição são puramente matemáticos. O retorno é uma grande incógnita. De repente, uma obra-prima pode surgir de um rincão de pobreza no Brasil profundo.
Diante da dimensão numérica, que é gigantesca, de distribuição de verbas a serem investidas em Cultura, o Brasil nunca vivera tamanha explosão de investimento. O que virá de feedback após a aplicação dos recursos, a execução dos projetos e a circulação das obras? É o que todos os brasileiros estão se perguntando. E certamente estariam consumindo. Caso tivessem acesso ao que foi produzido com o tributo, que saiu do bolso de cada um de nós.
Só com a LPG, que repassou cerca de R$ 3,9 bilhões ao país, o Piauí recebeu R$ 74,8 milhões. O valor, dividido entre execução pelo estado e municípios, impulsionou o setor audiovisual, que ficou com a maior parte, 70%. Do que venho tentando acompanhar, uma ínfima parte foi apresentada publicamente. É isso que está faltando. Um ponto que concentre o que foi realmente feito com os investimentos bilionários do Governo Federal e que as pessoas tenham acesso. ArtBR é a dica. A maior plataforma de arte e cultura do Brasil – 100% gratuita. É a dica.
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