Por Fábio Wellington
03 de dezembro de 2025 às 17:29 ▪ Atualizado há 2 meses
O Ministério Público do Piauí (MPPI) apresentou denúncia contra os empresários Haran Santhiago Girão Sampaio e João Revoredo Mendes Cabral Filho pela comercialização de combustível adulterado no posto HD 11, localizado no município de Lagoa do Piauí. A investigação integra o conjunto de irregularidades descobertas durante a Operação Carbono Oculto, que apura um esquema de lavagem de dinheiro associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Rede de Postos HD é interditada durante Operação Carbono Oculto 86 no Piauí. Foto: Divulgação/SSP-PI De acordo com o MPPI, os dois empresários teriam permitido a venda de óleo diesel S-500B fora dos padrões exigidos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). A irregularidade foi identificada em 21 de março de 2023 e confirmada por análises técnicas do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon).
Os laudos apontaram que o combustível apresentava turbidez, excesso de água e não atendia às especificações obrigatórias de qualidade, oferecendo risco direto ao consumidor. Segundo o órgão, Haran Santhiago, administrador do posto, e João Revoredo, responsável técnico, agiram em conjunto para viabilizar a comercialização do produto irregular.
Durante as fiscalizações, equipes também encontraram tanques expostos e áreas em obras, fatores que aumentavam a possibilidade de contaminação do diesel. Para o Ministério Público, as condições observadas demonstram falta de controle técnico e violação das normas aplicáveis ao setor.
Na denúncia, o MPPI pede a condenação dos acusados e requer o pagamento mínimo de R$ 50 mil por danos morais coletivos, valor que, caso autorizado pela Justiça, deve ser destinado ao Fundo Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (FPDC).
A investigação que levou à denúncia faz parte da Operação Carbono Oculto, deflagrada em 5 de novembro por forças de segurança em cidades do Piauí, Maranhão e Tocantins. A ofensiva apura um amplo esquema de lavagem de dinheiro estimado em R$ 5 bilhões, supostamente operado por uma rede de postos de combustíveis, empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs vinculados ao PCC.
Ao todo, 49 postos foram interditados durante a operação, incluindo 16 unidades localizadas em Teresina. Entre os bens apreendidos estão veículos de luxo e aeronaves, entre elas um Porsche avaliado em R$ 550 mil e um avião modelo Cessna Aircraft 210M, de propriedade do empresário Haran Santhiago. Outros três aviões pertencentes ao grupo empresarial não foram localizados.
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