23 de setembro de 2026 às 14:27 ▪ Atualizado em 23/09 às 14:31
Na noite de terça-feira (22), dois eventos em Teresina mostraram que o pedido de voto nem sempre segue a divisão das chapas estaduais. Átila Filho, deputado federal do Progressistas, citou candidatos ligados ao governador Rafael Fonteles (PT). Dário Castro, filho e segundo suplente de Marcelo Castro (MDB), pediu votos para Ciro Nogueira (PP), adversário de seu pai na eleição para o Senado.
Átila Filho cita adversários do PP, mas filho de Marcelo Castro pediu voto para Ciro Em um evento na zona Sul da capital, Átila mencionou Júlio César (PSD) e Rafael Fonteles. Em outro trecho do discurso, falou em confirmar o voto e citou o número de Marcelo Castro. Após a divulgação dos vídeos, negou ter declarado apoio à chapa governista e reafirmou seu voto em Joel Rodrigues e Ciro Nogueira. Dário, por sua vez, pediu apoio a Ciro em uma solenidade promovida pelo vereador e secretário de Educação Ismael Silva, do PP.
Os gestos têm alcances diferentes. O pedido de Dário foi explícito. No caso de Átila, há o discurso registrado em vídeo e a explicação posterior do deputado. Colocar os dois episódios lado a lado não exige tratá-los como declarações equivalentes. Serve para mostrar que manifestações desse tipo são comuns na política e aparecem dos dois lados da disputa.
A razão mais imediata está na própria eleição: serão escolhidos dois senadores. As chapas querem que o eleitor vote em seus dois nomes, mas nenhum candidato controla sozinho o segundo voto. Uma liderança pode trabalhar pela eleição de um senador e, no mesmo município, manter compromissos com apoiadores de outro. Quem precisa de votos para deputado também leva em conta as relações de quem organiza seus eventos e sustenta sua campanha.
Essas relações não começam nem terminam na eleição para o Senado. Políticos de grupos adversários podem atuar juntos em demandas municipais, dividir aliados locais ou depender do apoio de uma mesma liderança. Quando se encontram em uma agenda pública, a fala feita diante daquele grupo pode refletir esses vínculos, ainda que a orientação oficial do partido seja outra.
É por isso que o voto cruzado causa incômodo nas chapas, mas não deve ser apresentado automaticamente como uma ruptura. Para afirmar que alguém mudou de lado, é preciso mais do que sua presença em um evento ou a menção a um adversário. Ao mesmo tempo, um pedido expresso de voto tem significado político e pode contrariar o esforço de uma chapa para eleger sua dupla.
Dário pediu voto para Ciro mesmo integrando a chapa de Marcelo. Átila citou Marcelo e Júlio César, mas negou ter abandonado seus aliados do PP. Em ambos os casos, a tentativa de conquistar o segundo voto passou pelas relações construídas fora da composição oficial. Isso acontece com frequência quando a eleição oferece duas escolhas para o mesmo cargo.
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