Política

Delegados da Polícia Federal alertam sobre riscos da PEC da Blindagem

De acordo com os delegados, “tal medida compromete a transparência, fragiliza o combate à criminalidade e fere o princípio da igualdade de todos perante a lei”.

Por Isadora Santos

20 de setembro de 2025 às 12:30 ▪ Atualizado há 2 meses

Ver resumo
  • Delegados da Polícia Federal destacaram preocupações com a PEC da Blindagem, aprovada pela Câmara dos Deputados.
  • A proposta torna mais difícil o andamento de processos criminais e a execução de mandados de prisão contra parlamentares.
  • A PEC ainda precisa ser avaliada pelo Senado, passando pela Comissão de Constituição e Justiça.
  • A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) emitiu uma nota criticando a PEC.
  • Segundo a nota, a proposta é um retrocesso que pode favorecer a impunidade e enfraquecer os avanços da Emenda Constitucional nº 35/2001.
  • Há preocupação com a eficácia das operações da PF envolvendo deputados e senadores, devido à necessidade de autorização legislativa para processos penais.
  • Os delegados argumentam que a medida compromete a transparência, o combate à criminalidade e o princípio da igualdade perante a lei.
  • A ADPF afirma que a PEC ameaça o equilíbrio entre os Poderes e limita a atuação dos órgãos de persecução penal.
  • A nota ressalta que o fortalecimento da democracia deve prevalecer sobre iniciativas que criem privilégios injustificáveis.

Delegados da Polícia Federal (PF) manifestaram preocupação com os impactos da chamada PEC da Blindagem, aprovada na noite da última terça-feira (16) pelo plenário da Câmara dos Deputados. A proposta dificulta o andamento de processos criminais contra parlamentares, inclusive a execução de mandados de prisão, e agora segue para o Senado. As críticas foram divulgadas em nota oficial da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), nesta sexta-feira (19).

 Delegados da Polícia Federal alertam sobre os riscos da PEC da Blindagem. Foto: Kayo Magalhaes/Câmara dos deputadosDelegados da Polícia Federal alertam sobre os riscos da PEC da Blindagem. Foto: Kayo Magalhaes/Câmara dos deputados  

Segundo a entidade, a proposta representa um grave retrocesso institucional, por enfraquecer os avanços garantidos pela Emenda Constitucional nº 35/2001 e abrir espaço para a impunidade. Ainda de acordo com a nota, operações da PF que envolvam deputados e senadores correm o risco de se tornarem ineficazes, já que o início de processos penais dependerá de autorização das respectivas Casas Legislativas.

“A proposta representa um grave retrocesso institucional, ao enfraquecer os avanços conquistados com a Emenda Constitucional nº 35/2001 e reabrir espaço para cenários de impunidade. Na prática, operações da Polícia Federal que envolvam parlamentares correm o risco de se tornarem inócuas, já que o início de processos penais dependerá de autorização das respectivas Casas Legislativas”, diz a nota.

O texto-base, que dependia de 308 votos para avançar, foi aprovado no primeiro turno por 353 parlamentares no primeiro turno, outros 134 deputados votaram contra o projeto, e houve uma abstenção. No segundo turno,  por volta das 23h30, cerca de duas horas depois da primeira votação, o placar foi de 344 votos a favor e 133 votos contrários. Agora a PEC irá passar pelo Senado, onde a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) é uma etapa obrigatória. 

De acordo com os delegados, “tal medida compromete a transparência, fragiliza o combate à criminalidade e fere o princípio da igualdade de todos perante a lei”.

Ameaça

A entidade também alertou que permitir controle político irrestrito sobre investigações envolvendo deputados e senadores representa uma ameaça ao equilíbrio entre os Poderes da República e impõe sérias restrições à atuação dos órgãos encarregados da responsabilização criminal.

“Tal medida compromete a transparência, fragiliza o combate à criminalidade e fere o princípio da igualdade de todos perante a lei. Além disso, o controle político irrestrito sobre investigações envolvendo deputados e senadores ameaça o equilíbrio entre os Poderes e limita gravemente a atuação dos órgãos de persecução penal”, complementou em nota.

Confira a nota

Nota Pública da ADPF

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) acompanha com preocupação a aprovação da chamada PEC da Blindagem pela Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (17/09).

A proposta representa um grave retrocesso institucional, ao enfraquecer os avanços conquistados com a Emenda Constitucional nº 35/2001 e reabrir espaço para cenários de impunidade. Na prática, operações da Polícia Federal que envolvam parlamentares correm o risco de se tornarem inócuas, já que o início de processos penais dependerá de autorização das respectivas Casas Legislativas.

Tal medida compromete a transparência, fragiliza o combate à criminalidade e fere o princípio da igualdade de todos perante a lei. Além disso, o controle político irrestrito sobre investigações envolvendo deputados e senadores ameaça o equilíbrio entre os Poderes e limita gravemente a atuação dos órgãos de persecução penal.

Os Delegados de Polícia Federal reafirmam que o Parlamento é o espaço legítimo para os grandes debates nacionais. Contudo, ressaltam que as demandas da sociedade e o fortalecimento da democracia devem prevalecer sobre qualquer iniciativa que crie privilégios injustificáveis.

A PEC da Blindagem não fortalece a democracia, fortalece a impunidade.

ADPF
Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal






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