28 de dezembro de 2025 às 17:05 ▪ Atualizado há 2 meses
Se a chapa majoritária governista caminha para um consenso pacificado, inclusive com o PT aceitando o neo petista Washington Bandeira como vice de Rafael. o mesmo não pode ser dito sobre a disputa proporcional para a Assembleia Legislativa do Piauí. Nos corredores do Palácio Petrônio Portella, o clima, nesse departamento, é de "cada um por si". A eleição de 2026 vai marcar o enterro definitivo das chamadas "chapinhas", estratégia que historicamente permitiu a eleição de deputados estaduais com votações medianas (entre 20 e 25 mil votos) abrigados em siglas menores, tidas como nanicas. Agora, a regra é brutal: ou o candidato está em um transatlântico partidário, ou naufraga.
Entenda como o fim das "chapinhas" transformou a eleição - Foto: Reprodução A nova legislação eleitoral, somada à cláusula de barreira e às regras rígidas para distribuição das sobras (necessidade de 80% do quociente para o partido e 20% para o candidato), forçou uma concentração de poder inédita no Piauí. Esses partidos nanicos ou médios, que antes serviam de "barriga de aluguel" para candidaturas emergentes, deixaram de ser viáveis. O resultado é um êxodo em massa para as três grandes potências do estado: a Federação PT/PCdoB/PV, o MDB e o PSD, além do Progressistas na oposição.
Essa concentração gera um efeito colateral imediato: a inflação do "piso" eleitoral. Dentro de uma chapa pesada como a do MDB ou do PT, um candidato com 30 mil votos, que antigamente seria eleito com folga em um partido menor, corre o risco real de ficar na segunda ou terceira suplência. A "nota de corte" para garantir o mandato direto na ALEPI, sem depender da convocação de secretários, deve saltar para a casa dos 40 mil a 45 mil votos. Isso obriga os deputados de mandato a canibalizarem as bases uns dos outros em busca de expansão.
O drama é maior para o chamado "baixo clero". Deputados que se elegeram na "bacia das almas" em 2022 ou que viram suas bases municipais minguarem em 2024 estão em pânico. Eles não têm estrutura para competir de igual para igual com os "super-deputados" (aqueles que têm o apoio de 10 ou 15 prefeitos e secretarias de porteira fechada). Para estes, a única esperança é a "fila da suplência".
Entenda como o fim das "chapinhas" transformou a eleição para deputado - Foto: Reprodução Aqui entra uma peculiaridade da política piauiense: a "Indústria da Suplência". Como o governo Rafael Fonteles é amplo e costuma convocar muitos deputados para assumir secretarias, estar na primeira ou segunda suplência do PT ou MDB vale quase tanto quanto ser titular. Por isso, a briga não é apenas para ficar entre os 30 eleitos, mas para ficar entre os "top 45". Muitos políticos estão aceitando entrar em chapas suicidas, sabendo que perderão a vaga direta, mas apostando que a máquina estatal garantirá sua acomodação posterior.
O fim das chapinhas também matou o "voto de opinião" regionalizado. Aquele líder comunitário, médico ou professor que tinha forte atuação em uma microrregião e conseguia seus 15 mil votos, hoje é carta fora do baralho. Os partidos grandes não têm interesse em lançar esses nomes se eles não trouxerem estrutura financeira e política (prefeitos). A chapa precisa atingir o quociente eleitoral, então a prioridade é para quem tem "voto de cabresto moderno", ou seja, votos garantidos por lideranças municipais.
No campo da oposição o desafio é ainda mais hercúleo. O Progressistas (PP) precisa montar uma chapa competitiva sem a cola do poder estadual. Sem a perspectiva de "chapinhas" auxiliares (como o antigo PTC, PRTB, etc.), a oposição precisa concentrar todos os seus ovos na mesma cesta. Isso significa que a disputa interna no PP será sangrenta: para sobreviver, um deputado oposicionista precisará ter uma votação pessoal muito expressiva, já que não haverá "escada" de outros partidos menores para ajudar no quociente.
O PSD, sob a batuta dos deputados Júlio César e Georgiano (principalmente), surge como o "aspirador de votos" do interior. O partido cresceu vertiginosamente nas eleições municipais e deve montar uma das chapas mais fortes para a ALEPI, talvez rivalizando em tamanho com a própria Federação do PT. Isso cria um problema de gestão para o governador: como o PSD inchou, ele precisa de mais espaço. Seus candidatos a estadual vão avançar sobre colégios eleitorais que hoje são do PT ou do MDB, gerando atritos na base, o que já vem acontecendo.
Outro fenômeno a ser observado é a "familiarização" das chapas. Com o fim das chapinhas, apenas estruturas políticas consolidadas sobrevivem. Isso favorece a eleição de filhos, esposas e parentes de prefeitos ou de políticos tradicionais. A renovação política, no sentido de novos nomes sem parentesco político, tende a ser próxima de zero em 2026. A ALEPI será um clube de herdeiros e profissionais da política. Por fim, a pacificação do Senado ironicamente joga mais gasolina na ALEPI. Como as grandes lideranças (Marcelo, Júlio César, Ciro Nogueira, Rafael) já têm seus destinos traçados no topo da pirâmide, toda a pressão reprimida dos grupos menores desce para a disputa proporcional. É na briga pelas 30 cadeiras que os prefeitos mostrarão sua força, cobrando caro pelo apoio. O custo da campanha para deputado estadual em 2026 será o mais alto da história do Piauí.
Em resumo, o fim das chapinhas acabou com o romantismo e com a sorte. A eleição para a ALEPI virou uma equação matemática de alta complexidade, onde só sobrevivem os grandes blocos. Quem não entendeu isso e tentar carreira solo ou em partidos nanicos como Solidariedade, Avante ou Agir, se não estiverem federados ou fundidos, será varrido do mapa político em outubro de 2026.
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