Por Isadora Santos
10 de dezembro de 2025 às 12:45 ▪ Atualizado há 2 meses
A polícia legislativa removeu jornalistas do plenário da Câmara dos Deputados e interrompeu a transmissão da TV Câmara após o deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ) ocupar a cadeira da Presidência em protesto contra a votação de sua cassação, prevista para esta quarta-feira (10).
Polícia legislativa expulsa jornalistas do plenário da Câmara após protesto de Glauber. Foto: Reprodução/Redes Sociais A tensão começou depois que Glauber Braga tomou a cadeira de Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Casa. O ato ocorreu minutos após o anúncio de que seu processo de cassação seria votado nesta quarta-feira (10).
Diante da situação, os policiais legislativos determinaram que repórteres deixassem o plenário para impedir qualquer registro do momento em que o parlamentar seria removido à força da cadeira. Durante a confusão, o sinal da TV Câmara foi cortado e a programação saiu do ar para impedir que a população acompanhasse, em tempo real, a movimentação dentro do plenário.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) divulgaram nota conjunta condenando a ação. As entidades classificaram o episódio como um atentado ao trabalho da imprensa e denunciaram “o cerceamento à liberdade de informação da população brasileira”, considerando a situação “extremamente grave”.
“A Fenaj e o SJPDF consideram extremamente grave o cerceamento ao trabalho da imprensa e à liberdade e ao direito de informação da população brasileira. Mais grave ainda são os episódios de agressões físicas a profissionais da imprensa, que levam informação sobre o funcionamento da casa legislativa à sociedade brasileira”, informou a Fenaj em nota.
Além disso, a Fenaj destacou que a medida não pode ser naturalizada, relembrando os atos de censura durante o período da ditadura militar no país. O órgão afirmou que seguirá acompanhando o caso.
“Não podemos admitir que medidas autoritárias, que remontam às vividas em um período não tão distante durante a ditadura militar, sejam naturalizadas e se repitam em nosso Congresso Nacional – que deveria ser a casa do povo e não de quem ataca os direitos da população. Seguimos atentos e acompanhando os desdobramentos desse lamentável e absurdo episódio”, completou.
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