24 de dezembro de 2025 às 19:54 ▪ Atualizado há 3 meses
O prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), apresentou-se à polícia na manhã desta quarta-feira (24), em São Luís, depois de passar dois dias foragido. Ele é alvo da Operação Tântalo II, que investiga um esquema de desvio de recursos públicos estimado em mais de R$ 56 milhões no município.
Prefeito de Turilândia se apresenta à polícia após operação que apura desvio milionário - Foto: Reprodução De acordo com o Ministério Público do Maranhão (MP-MA), a investigação envolve 20 vereadores e um ex-vereador, suspeitos de participação em um suposto esquema de corrupção. Nem todos, porém, tiveram mandados de prisão expedidos pela Justiça.
Tânia Mendes (vice-prefeita), e todos os 11 vereadores de Turilândia estão envolvidos em desvios de dinheiro público, segundo o MP-MA — Foto: Divulgação/Câmara de Turilândia A ofensiva policial cumpriu 51 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão em dez municípios maranhenses, entre eles São Luís, Paço do Lumiar, Pinheiro, Barreirinhas e São José de Ribamar. A ação é um desdobramento da Operação Tântalo, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) em fevereiro deste ano.
As apurações apontam indícios de organização criminosa, fraudes em licitações, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Segundo o MP-MA, as irregularidades teriam ocorrido entre 2021 e 2025, durante a atual gestão municipal.
A Operação Tântalo II investiga especificamente o desvio de R$ 56.328.937,59 por meio de contratos simulados com empresas de fachada supostamente criadas ou controladas pelo prefeito e seus aliados políticos. Entre os investigados estão os 11 vereadores de Turilândia, a vice-prefeita Tânia Mendes, a ex-vice-prefeita Janaína Lima, servidores públicos, empresários e outros agentes políticos.
“Na Câmara, praticamente todos os vereadores participavam do esquema, recebendo valores desviados de forma direta ou por intermédio de familiares”, afirmou o promotor do GAECO, Fernando Berniz.
Após a apresentação à polícia, Paulo Curió e a vice-prefeita Tânia Mendes tiveram a prisão preventiva decretada e serão encaminhados à Unidade Prisional de Ressocialização de Pedrinhas, em São Luís. Já os vereadores tiveram as prisões convertidas em medidas alternativas, como prisão domiciliar ou uso de tornozeleira eletrônica.
Segundo o Ministério Público, a decisão judicial levou em conta a necessidade de manter o funcionamento administrativo do município.
“A Justiça optou por medidas menos gravosas para os vereadores a fim de evitar a paralisação das atividades em Turilândia, já que o presidente da Câmara deverá assumir o comando do Executivo”, explicou o promotor.
As investigações indicam que o grupo criminoso era liderado por Paulo Curió, com apoio da vice-prefeita Tânia Mendes e da ex-vice-prefeita Janaína Lima. O desvio de recursos teria ocorrido por meio de contratos fraudulentos firmados com empresas consideradas de fachada.
Entre as empresas citadas nas investigações estão Posto Turi, SP Freitas Júnior Ltda, Luminer Serviços Ltda, MR Costa Ltda, AB Ferreira Ltda, Climatech Refrigeração e Serviços Ltda, JEC Empreendimentos, Potencial Empreendimentos e Cia Ltda, WJ Barros Consultoria Contábil e Agromais Pecuária e Piscicultura Ltda.
Segundo o MP-MA, essas empresas eram utilizadas para emitir notas fiscais falsas e simular a prestação de serviços, possibilitando o desvio de dinheiro dos cofres municipais. Os valores eram repassados ao prefeito, vereadores e pessoas ligadas ao grupo, inclusive por meio de contas de parentes.
A ex-vice-prefeita Janaína Lima e o marido dela, Marlon Zerrão, tio da atual vice-prefeita, são apontados como figuras centrais no esquema. De acordo com o Ministério Público, o Posto Turi, pertencente a Marlon Zerrão, recebeu mais de R$ 17,2 milhões em recursos públicos.
As investigações indicam que havia um acordo para a retenção de 10% dos valores desses contratos, quantia que seria utilizada para custear o curso de medicina de Janaína Lima. O restante dos recursos era entregue ao prefeito ou a pessoas indicadas por ele.
O MP também apura a participação da vice-prefeita Tânia Mendes e de seu marido, Ilan Alfredo Mendes, suspeitos de receber valores de empresas contratadas pela prefeitura, inclusive por meio da comercialização de notas fiscais falsas.
Ainda conforme a investigação, a composição da chapa eleitoral teria como objetivo manter a influência política de Marlon Zerrão, aliado próximo do prefeito Paulo Curió.
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