24 de dezembro de 2025 às 07:51 ▪ Atualizado há 2 meses
O impasse interno no PT piauiense ganhou mais um capítulo e, como nos rounds anteriores, o ringue são os municípios. Depois de Cajueiro da Praia, agora é Passagem Franca do Piauí que entra no centro da disputa entre a direção estadual do partido, liderada pelo deputado Fábio Novo, e prefeitos petistas que resistem a seguir, sem ressalvas, a cartilha da base aliada.
Saulo Trajano (PT) e Ciro Nogueira (PP) - Foto: Redes Sociais Na manhã desta semana, uma foto aparentemente despretensiosa caiu como gasolina no fogo: o prefeito de Passagem Franca, Saulo Trajano (PT), apareceu ao lado do senador Ciro Nogueira, principal nome da oposição no estado e no plano nacional. O registro viralizou nas redes sociais e levantou uma pergunta imediata: Saulo estaria repetindo o caminho do prefeito de Cajueiro da Praia e se preparando para deixar o PT?
Provocado sobre o assunto, Saulo Trajano foi direto e pouco diplomático. Disse que não pediu desfiliação e deixou claro seu posicionamento eleitoral:
“Voto em Ciro Nogueira e Marcelo Castro para o Senado e em Rafael Fonteles para governador. Devo satisfação ao governador, não a Fábio Novo. Já deixei claro ao governador que sou fiel a ele, como fui na eleição passada. Mas, antes de tudo, preciso ser fiel aos interesses do município.”
A declaração mostra mais uma vez o nó político que o PT tenta desatar: como manter coesão partidária diante de prefeitos que, mesmo filiados, fazem alianças pragmáticas e assumem votos fora da orientação oficial. No caso de Saulo, o recado foi cristalino, a lealdade é com Rafael Fonteles, não com a direção partidária.
O voto em Marcelo Castro, senador da base, é esperado. Já o apoio a Ciro Nogueira, adversário histórico do PT, é o ponto que irrita o comando partidário.
Há ainda um componente local que ajuda a explicar a equação. Na eleição municipal passada, a oposição a Saulo Trajano foi apoiada por nomes como Júlio César e Georgiano, o que teria criado uma barreira política difícil de transpor. Na leitura do prefeito, apoiar esses grupos agora seria fortalecer adversários internos no próprio município, um cálculo que pesa mais do que a disciplina partidária.
Enquanto isso, o PT se movimenta. O deputado Fábio Novo já sinalizou que irá cobrar fidelidade e acionar os mecanismos internos do partido. A cobrança é tratada como legítima pela direção. O que não está claro é até onde o partido está disposto a ir e a que custo para enquadrar prefeitos que, apesar das dissidências, seguem declarando apoio ao governador.
Ainda em agosto de 2025, Trajano chamou Ciro Nogueira de "pai dos prefeitos do Piauí", em reconhecimento aos apoios e parcerias que o senador tem proporcionado ao município, destacando que as parcerias produtivas deveriam superar as diferenças partidárias.
A situação incômoda ao Partido dos Trabalhadores deixa claro: no interior do Piauí, a fidelidade partidária tem concorrente forte, chama-se interesse municipal.
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