21 de dezembro de 2025 às 14:49 ▪ Atualizado há 2 meses
O que deveria ser uma manhã de celebração da saúde e do axé com o cantor Bell Marques, neste domingo (21), acabou se tornando uma denúncia a céu aberto do abandono ambiental em Teresina.
Corrida de Bell Marques revela o "cemitério verde" do Rio Poti sob descaso da Águas de Teresina - Foto: Divulgação
A Corrida 100% Você, que reuniu cerca de 14 mil participantes, teve seu trajeto alterado drasticamente após intervenção da Strans, que proibiu a realização da prova na Avenida Raul Lopes.
Corrida de Bell Marques revela o "cemitério verde" do Rio Poti sob descaso da Águas de Teresina - Foto: Divulgação
Com a mudança "a toque de caixa", a largada foi transferida para a Avenida Prof. Arimatéia Santos (antiga Ulisses Marques), na zona Leste. A nova rota empurrou os corredores para um dos trechos mais degradados do Rio Poti, revelando um cenário desolador: um rio invisível, sufocado por um denso "tapete verde" de aguapés.
Corrida de Bell Marques revela o "cemitério verde" do Rio Poti sob descaso da Águas de Teresina - Foto: Divulgação
A ironia do novo percurso atingiu seu ápice quando os atletas passaram em frente à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Leste, de responsabilidade da concessionária Águas de Teresina (Grupo Aegea). No local, o entusiasmo deu lugar ao mal-estar. Milhares de corredores relataram um odor insuportável vindo da unidade de tratamento, justamente no ponto onde a proliferação de aguapés é mais intensa.
Cientificamente, a presença massiva dessas plantas é um bioindicador de poluição extrema.
Os aguapés se alimentam de matéria orgânica proveniente de esgoto doméstico não tratado ou mal tratado. A concentração da vegetação exatamente na saída da ETE levanta dúvidas graves sobre a eficiência do tratamento devolvido ao rio pela concessionária.
A agonia do Rio Poti não é um problema isolado. Como o rio deságua no Rio Parnaíba, o maior do Piauí, a carga de nutrientes e poluentes acaba contaminando todo o ecossistema estadual. Vale lembrar que a Aegea também é responsável pelo saneamento em outras regiões do estado através do Águas do Piauí, o que amplia a preocupação sobre o modelo de gestão hídrica adotado.
A alteração do percurso, que causou revolta e pedidos de reembolso por parte de corredores que não concordaram com a mudança súbita, acabou por prestar um serviço involuntário à cidade. Se na Raul Lopes o rio parece "limpo" para as fotos de rede social, na zona Leste a realidade é de um ecossistema em colapso.
A prefeitura de Teresina, ao empurrar o evento para fora da Raul Lopes através da Strans, acabou tirando o tapete da sala e mostrando a sujeira escondida no corredor. O sucesso de Bell Marques foi o palco para o fracasso da Águas de Teresina e do poder público.
É inadmissível que, em pleno 2025, o teresinense seja obrigado a correr ao lado de um "rio morto", sentindo o cheiro da ineficiência de uma empresa que cobra taxas de esgoto elevadas, mas entrega aguapés e degradação. O Rio Poti não precisa de mais operações paliativas de limpeza; precisa de saneamento real e fiscalização severa. A corrida de hoje provou que a saúde da cidade está tão asfixiada quanto as águas do nosso Poti.
Confira postagem no Instagram:
*** Texto escrito por colaborador externo. As opiniões nele contidas não refletem, necessariamente, a opinião do veículo.
De segunda a sexta, um resumo dos fatos que importam, direto no seu e-mail e de forma gratuita.
Em Teresina
Favorecimento
Análise
Maranhão em foco
Extensa ficha criminal
Acidente
Falta transparência
Acúmulo ilegal
Visitas
BR-316
Votação relâmpago
Feminicídio
Coluna Lugar de Fala
Feriado
Festival Louvor a Jesus
Os bastidores do poder no Piauí e no Brasil. A notícia sem rodeios. Lupa1 é jornalismo imparcial com conteúdo exclusivo e diário.
Termos de uso Política de Privacidade Princípios Editoriais
© 2026 Portal Lupa1. Todos os direitos reservados.