Ponto de Ruptura

Coluna assinada por Thiago Trindade, jornalista e publicitário há 14 anos. Provoca reflexões críticas sobre sociedade, política e negócios no Piauí e Brasil.
Ponto de Ruptura

O xadrez do Senado: Marcelo Castro solta o primeiro foguete na guerra de "caciques"

Com pesquisa no Instagram, emedebista marca território e manda recado para a base e para a oposição.

13 de março de 2026 às 15:44 ▪ Atualizado há 2 meses


O jogo para 2026 oficialmente saiu dos bastidores e caiu na timeline. O senador Marcelo Castro (MDB) não esperou o café esfriar e já lançou o primeiro recado: uma pesquisa do Datamax que o coloca na frente em Teresina.

O xadrez do Senado: Marcelo Castro solta o primeiro foguete na guerra de "caciques" - Foto: Divulgação

A sete meses da eleição, o movimento não é para amador. Marcelo sabe que, em política, quem bate primeiro dita o ritmo da música. Ao postar que "Teresina falou", ele não está apenas comemorando números; está fazendo marcação cerrada no território alheio.

A guerra agora é de "caciques", mas com as devidas proporções. Enquanto o governador Rafael Fonteles e o ministro Wellington Dias seguram as rédeas do estado e do prestígio nacional, Marcelo, Ciro e Júlio César travam um duelo de sobrevivência e relevância. 

A postagem do emedebista é um direto no queixo de Ciro Nogueira (PP). Mostrar força na capital, onde o lulismo é religião, é a tentativa de Marcelo de isolar o líder da oposição e mostrar que o "foguete" governista está com o combustível em dia.

Mas o veneno maior está na disputa interna da base. Júlio César (PSD) vem com sede de Senado, batendo o pé que sua candidatura é irreversível. Quando Marcelo Castro exibe esses 31,16% na capital, ele envia um recado cifrado para o Palácio de Karnak: "eu tenho o voto de opinião que vocês precisam". É uma forma de dizer para o grupo de Rafael que, embora o PSD tenha prefeitos, o MDB tem o recall que decide eleição no maior colégio eleitoral do estado.

Essa "guerra de postagens" é o início de um bombardeio de narrativas. Marcelo deu a largada tentando parecer o candidato natural, o "homem do Lula e do Rafael" em Teresina. Resta saber como Ciro vai reagir para não perder o discurso de equilíbrio e como Júlio César vai movimentar suas peças para não ser engolido pelo entusiasmo digital do emedebista.

O clima esquentou antes da hora e, no Piauí, a gente sabe: quem não mostra os dentes na pré-campanha acaba virando coadjuvante no palanque.

*** Texto escrito por colaborador externo. As opiniões nele contidas não refletem, necessariamente, a opinião do veículo.




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