Por Isadora Santos
18 de setembro de 2025 às 12:38 ▪ Atualizado há 3 meses
O uso crescente de inteligências artificiais, como o ChatGPT, para desabafos e buscas por orientação emocional tem gerado preocupação entre profissionais da psicologia. Em entrevista à TV Lupa1, o psicólogo Emerson Lopes, responsável técnico da Clínica-Escola de Psicologia da Uninassau Sul, alertou para os riscos dessa substituição e destacou que essas ferramentas não promovem vínculo terapêutico nem devem substituir a escuta qualificada de um profissional.
“Eu vejo que a inteligência artificial oferece muitos riscos quando toca no assunto do emocional. Porque o emocional, ele é uma coisa que está para além da racionalidade, da linearidade, então é uma coisa humana. E o ser humano, ele é um todo. Ele é um ser bio psico, sócio e espiritual. Então, o ser humano é uma espécie de portadores de dimensões que estão para além, inclusive, às vezes até da nossa própria percepção humana. Quem dirá de um computador que ainda está em desenvolvimento, e que ainda comete muitos erros”, informou.
ChatGPT. Foto: Reprodução Emerson Lopes alerta que a IA apresenta riscos consideráveis ao paciente, especialmente no âmbito emocional, podendo agravar sintomas já existentes. Ele ressalta ainda que a ferramenta não fortalece o indivíduo internamente e pode dificultar o autoconhecimento do paciente.
“Os riscos podem ser uma retraumatização, pode ser uma piora dos sintomas, pode ser uma dificuldade e a pessoa se autoconhecer, porque a psicoterapia com o psicólogo, ela visa não dá respostas, mas fazer com que a própria pessoa encontre suas respostas interiores, ela serve como apoio e inteligência artificial nem sempre. Então assim, tem uma série de riscos porque não fortalece o indivíduo internamente. É uma ferramenta externa que traz introjeções, que traz sugestões, que não são de uma natureza humana”, disse.
Ao analisar a crescente busca por interações com inteligência artificial como forma de apoio emocional, o psicólogo aponta fatores que podem explicar esse comportamento, relacionando-o tanto à necessidade de suporte quanto ao imediatismo da sociedade contemporânea.
“Bom, têm alguns fatores que a gente pode examinar nessa tendência das pessoas de estarem conversando com inteligência artificial para desabafar, para buscar um apoio emocional, uma é a necessidade, então se a pessoa está utilizando essa inteligência artificial para desabafar, para buscar algum apoio a necessidade, algum apoio emocional, isso demonstra sim uma necessidade da pessoa de um auxílio, uma busca por um equilíbrio emocional, por algo que não está ainda nas condições. Outra questão é o imediatismo da nossa sociedade em querer as coisas de uma maneira muito rápida e fácil”, explica o profissional.
O profissional reforça ainda a importância de procurar um profissional de saúde mental qualificado, destacando que o acolhimento humano, a escuta ativa e o contato terapêutico são fundamentais para o processo de cura, elementos que jamais podem ser substituídos por uma inteligência artificial.
“O próprio fato da escuta, da presença no set terapêutico, isso é próprio, proporciona um acolhimento, proporciona uma cura. Em gestalt e terapia a gente fala que o que cura é o contato, que cura é o acolhimento, que cura o que cura é o amor. Então essas coisas jamais poderão ser proporcionadas por uma máquina pela inteligência artificial”, destacou o psicólogo.
Fonte: TV Lupa1
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