29 de maio de 2026 às 20:06 ▪ Atualizado há 5 dias
Uma descoberta científica está mudando a forma como pesquisadores entendem a relação entre mosquitos e repelentes. Um estudo conduzido por cientistas da França e dos Estados Unidos revelou que fêmeas do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya, zika e febre amarela, são capazes de aprender a associar o repelente DEET à alimentação, passando a demonstrar interesse por pessoas que utilizam o produto.
Mosquito da dengue- Foto: Reprodução A pesquisa, publicada na revista científica Journal of Experimental Biology, foi liderada pelo entomólogo Claudio Lazzari, da Universidade de Tours, na França. Os resultados indicam que a reação dos mosquitos aos repelentes não depende apenas das propriedades químicas da substância, mas também das experiências vividas pelos insetos.
Durante os experimentos realizados em laboratório, os pesquisadores expuseram grupos de fêmeas do Aedes aegypti ao repelente DEET enquanto recebiam pequenas quantidades de sangue. Posteriormente, os insetos foram colocados diante das mãos de pesquisadores protegidas pelo mesmo composto químico.
Os resultados surpreenderam os cientistas. Cerca de 60% das fêmeas previamente condicionadas tentaram picar as mãos cobertas pelo repelente, comportamento oposto ao observado em mosquitos que não passaram pelo treinamento. Na prática, os insetos aprenderam a associar o odor do DEET à obtenção de alimento.
Segundo os autores, a descoberta representa uma mudança importante na compreensão sobre o funcionamento dos repelentes. Durante décadas, acreditava-se que essas substâncias atuavam exclusivamente por meio de mecanismos químicos capazes de afastar os mosquitos ou impedir que eles detectassem a presença humana.
O estudo sugere, porém, que a experiência acumulada pelo inseto também influencia seu comportamento. Em outras palavras, o significado de determinados odores pode ser alterado por meio do aprendizado, tornando um composto inicialmente repelente em um estímulo atrativo.
Apesar dos resultados, os pesquisadores alertam que não há motivo para abandonar o uso de repelentes. O DEET continua sendo considerado o padrão-ouro na proteção individual contra mosquitos e permanece altamente eficaz na prevenção de picadas.
Os cientistas também ressaltam que o experimento foi realizado em condições controladas de laboratório. Até o momento, não existem evidências de que populações selvagens de mosquitos estejam desenvolvendo resistência comportamental ao DEET em ambientes naturais.
Além de ampliar o conhecimento sobre a biologia e a capacidade de aprendizado dos mosquitos, a pesquisa pode contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias de combate aos insetos transmissores de doenças. Os autores afirmam que as descobertas servirão de base para a criação de repelentes mais eficientes, levando em consideração não apenas os mecanismos químicos, mas também os aspectos comportamentais e cognitivos dos mosquitos.
Para os pesquisadores, compreender como os insetos aprendem e modificam suas respostas ao ambiente pode ser um passo fundamental na busca por novas ferramentas de prevenção contra doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.
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