23 de fevereiro de 2026 às 15:07 ▪ Atualizado há 2 meses
Com grandes produtores mundiais enfrentando barreiras comerciais no Ocidente, o Brasil — e especialmente o Piauí — pode ocupar novos espaços no mercado internacional de mel.
Geopolítica abre janela para o mel do Piauí: tensões entre China, Irã e EUA podem favorecer produtores brasileiros
O mercado global de mel vive um momento de reorganização silenciosa. A China lidera a produção mundial com mais de 460 mil toneladas anuais, seguida por Turquia, Irã e Índia. O Brasil aparece na 9ª posição, com cerca de 67 mil toneladas em 2024.
Mas além dos números, o que começa a ganhar relevância é o cenário geopolítico.
A China enfrenta, há anos, tarifas e medidas antidumping impostas pelos Estados Unidos. O Irã, outro grande produtor mundial, sofre sanções econômicas internacionais que dificultam suas exportações para mercados ocidentais.
Além disso:
Nesse contexto, países importadores da Europa e da América do Norte tendem a buscar origens consideradas “mais estáveis” politicamente.
É aí que o Brasil entra.
O mel brasileiro já tem reconhecimento internacional por qualidade e rastreabilidade. Atualmente, cerca de 84% das exportações brasileiras vão para os Estados Unidos — o que mostra que existe demanda consolidada.
Mas o grande ponto estratégico é outro:
Enquanto China e Irã concentram parte relevante do fornecimento para mercados como Reino Unido, Bélgica, Espanha e Japão, eventuais barreiras comerciais podem abrir espaço para novos fornecedores.
O Brasil ainda produz muito menos que a China, mas tem margem para expansão.
Geopolítica abre janela para o mel do Piauí: tensões entre China, Irã e EUA podem favorecer produtores brasileiros
O Piauí foi o 2º maior produtor de mel do Brasil em 2024, com 8,61 mil toneladas. Duas cidades piauienses estão entre as 10 maiores produtoras do país.
Isso coloca o estado numa posição estratégica caso o Brasil amplie sua presença internacional.
O semiárido nordestino oferece:
Se houver política pública voltada à exportação e apoio logístico, o estado pode se beneficiar diretamente de uma reconfiguração global do comércio.
A geopolítica não garante mercado automaticamente. Para transformar tensão internacional em oportunidade econômica, será necessário:
O mundo passa por uma reorganização comercial.
Quem estiver preparado pode ocupar espaços deixados por grandes players em conflito com o Ocidente.
O Piauí já é protagonista nacional.
A próxima etapa pode ser internacional.
*** Texto escrito por colaborador externo. As opiniões nele contidas não refletem, necessariamente, a opinião do veículo.
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