Por Isadora Santos
21 de maio de 2026 às 09:50
A investigação que resultou na prisão da influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra e de integrantes ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) teve início há sete anos e passou por quatro fases até chegar à Operação Vérnix, deflagrada nesta quinta-feira (21) pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil.
Deolane Bezerra Foto: Reprodução/Instagram Segundo as investigações, o grupo é suspeito de operar um esquema de lavagem de dinheiro do PCC por meio de empresas de fachada e movimentações financeiras milionárias.
A primeira fase da apuração começou em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos com dois detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. O material continha referências ao tráfico de drogas, ordens da facção e possíveis planos de ataques contra agentes públicos.
Durante a análise dos documentos, investigadores identificaram menções a uma “mulher da transportadora”, o que levou à abertura de uma nova frente de investigação sobre uma empresa de cargas localizada próxima ao presídio.
Deolane Bezerra Foto: Reprodução/Instagram Na segunda etapa, a polícia identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada da transportadora, apontada como uma empresa de fachada utilizada para lavar dinheiro da organização criminosa.
As investigações avançaram em 2021, durante a Operação Lado a Lado, quando um celular apreendido com um operador do PCC revelou mensagens que indicavam participação direta da cúpula da facção no esquema financeiro.
Segundo o Ministério Público, as conversas apontavam divisão de lucros, uso de intermediários e movimentações envolvendo Deolane Bezerra e Everton de Souza, conhecido como “Player”.
Ainda conforme a investigação, o operador financeiro Ciro Cesar Lemos atuava na compra de caminhões, pagamentos e administração de patrimônio em nome de líderes da facção, incluindo Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola.
Os investigadores afirmam que depósitos e transferências vinculados à transportadora foram destinados a contas relacionadas a Deolane e empresas ligadas à influenciadora. A polícia aponta que, entre 2018 e 2021, ela recebeu mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados, prática conhecida como “smurfing”, usada para dificultar o rastreamento financeiro.
A investigação também identificou cerca de R$ 716 mil em depósitos realizados para empresas da influenciadora por uma companhia apresentada como banco de crédito. Segundo os investigadores, não foram encontrados registros de serviços prestados que justificassem os repasses.
Na quarta fase da investigação, relatórios financeiros consolidaram suspeitas de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e utilização de empresas para dar aparência legal aos recursos movimentados.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões vinculados a Deolane Bezerra. Segundo os investigadores, o valor corresponde a recursos sem origem comprovada e com indícios de ligação ao esquema criminoso investigado.
Além de Deolane, a operação também teve como alvo familiares de Marcola e operadores financeiros apontados como integrantes da estrutura da facção criminosa.
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