Lugar de Fala

Coluna assinada por Willian Tito, jornalista, ator e redator. Cultura, teatro e diversidade social com sensibilidade e firmeza.
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Eleição do Sated Piauí é judicializada após denúncia de irregularidades

Em meio a ação judicial, artistas questionam silêncio institucional, falta de prestação de contas, condução da comissão eleitoral e ausência de clareza administrativa no sindicato.

Por Willian Tito

20 de maio de 2026 às 20:25 ▪ Atualizado há 1 semana


O episódio envolvendo o processo eleitoral do SATED Piauí começa a ganhar contornos cada vez mais delicados. Não apenas pelo campo jurídico, mas pelo desgaste político e moral que já se espalha pelos bastidores da cultura piauiense. Quem está no poder fez o que pôde para mais uma transição silenciosa, mas a categoria, cansada, não aceita a continuidade da falta de transparência.

A ação em tramitação na Justiça do Trabalho colocou oficialmente a entidade no centro de uma crise que muitos artistas afirmam que existe há bastante tempo. O sindicato foi intimado a se manifestar em prazo curto, apenas dois dias, sobre pedido de tutela de urgência. Prazo encerra amanhã. Parte da categoria que está acompanhando entende que o problema deixou de ser apenas eleitoral. Tornou-se uma discussão sobre transparência, legitimidade e confiança institucional. Alguns estão acordando ainda.

O presidente da comissão eleitoral, o dramaturgo Aci Campelo, passou a ocupar uma posição central no conflito. Em grupos de mensagens e conversas de bastidores, associados relatam desconforto com o tom adotado em manifestações atribuídas ao dirigente da comissão. Há quem considere inadequados comentários interpretados como desdenhosos em relação às críticas feitas ao processo e até à própria judicialização do caso.

 Aci Campelo, dramaturgo, presidia comissão eleitoral questionada judicialmente. Foto: reprodução redes sociaisAci Campelo, dramaturgo, presidia comissão eleitoral questionada judicialmente. Foto: reprodução redes sociais

Para artistas que acompanham o desenrolar da crise, a postura ajudou a ampliar a sensação de que faltaria serenidade institucional num momento que exigiria justamente equilíbrio, prudência e transparência. A percepção de parte da categoria é que Campelo teria assumido um papel quase arbitral, falando como intérprete definitivo das regras e da legitimidade eleitoral, mas sem apresentar mecanismos públicos suficientemente claros que reduzissem as dúvidas levantadas pelos associados. Em vez de diminuir a crise, a condução acabou aprofundando suspeitas sobre alinhamento com o grupo político que tenta permanecer à frente da entidade.

Ao tomar conhecimento da ação, num rompante em grupo de whatsapp, falou que sairia candidato caso a comissão fosse judicialmente desfeita. Depois dessa, se a suspeição era uma dúvida... O ambiente eleitoral se agravou ainda mais após a substituição de um membro eleito da comissão por outro nome, sem comunicação ampla e detalhada à categoria. O episódio virou símbolo do que muitos artistas passaram a chamar de “processo nebuloso”. É um dos pontos considerados como graves na falta do básico burocrático da instituição.

Com o discurso repetido querendo se posicionar como vítima, os apoiadores da continuidade apelam ao drama, acusando quem quer que seja que lute pela transparência de vilão da categoria. E precisa? Por outro lado, à medida que vão tomando consciência dos fatos, muitos artistas e técnicos manifestam seu apoio silencioso ao grupo que defende a auditoria nas contas e documentos da entidade.

 Safira Bengell questiona irregularidades no processo eleitoral. Foto: divulgaçãoSafira Bengell questiona irregularidades no processo eleitoral. Foto: divulgação

A autora da ação rebate e afirma que, um processo que clame por transparência na mais importante entidade dos artistas, tem que ser bem visto. Segundo Safira Bengell, quem está no poder segue muito bem. A classe fragilizada está do lado de fora, sem acesso aos benefícios que devem ser coletivos. E sem tomar conhecimento de muitas ações que devem ser públicas.

Ao mesmo tempo, crescem questionamentos sobre aspectos financeiros da entidade. Nos bastidores, a pergunta que se repete com insistência é “Por que a conta oficial do sindicato não teria sido utilizada em determinadas movimentações relacionadas ao processo eleitoral?” A ausência de esclarecimentos públicos consistentes alimentou especulações e elevou a temperatura política dentro da classe artística. E continua sem resposta. Oficial. Nos bastidores, tem fuxico cultural criativo para todos os gostos.

Outro ponto explosivo envolve as prestações de contas do sindicato. Associados afirmam que relatórios financeiros e demonstrações administrativas deixaram de ser apresentados com regularidade ao longo dos anos. A falta de publicidade sobre arrecadação, despesas e movimentações internas virou um dos temas mais comentados no seio cultural.

Para muitos, a atual crise eleitoral apenas revelou um problema mais profundo, que é a erosão gradual dos mecanismos de transparência da entidade. Também segue cercada de críticas a dificuldade de acesso à relação de eleitores. Segundo relato de associado, houve um contínuo “jogo de empurra” entre secretaria e comissão eleitoral. Quem buscava informações era redirecionado sucessivamente, sem resposta objetiva. O impasse ajudou a provocar a judicialização do caso e aumentou a percepção de fechamento institucional.

 Lari Sales, preside a entidade que ainda não prestou contas da gestão. Foto: reprodução redes sociaisLari Sales, preside a entidade que ainda não prestou contas da gestão. Foto: reprodução redes sociais

A presidente do sindicato, atriz Lari Sales, permanece em silêncio público. Mantemos o protocolo de enviar as perguntas sempre primeiro a ela. Entretanto, a ausência de posicionamentos oficiais em meio ao agravamento da crise passou a ser interpretada por parte da categoria como um elemento adicional de desgaste político.

Nos corredores do teatro, nos grupos culturais e nas conversas de bastidores, muitos já afirmam que o episódio deixou de ser apenas uma disputa eleitoral. Tornou-se uma discussão sobre o futuro institucional do sindicato, sua credibilidade e sua capacidade de representar a categoria com legitimidade, independência e autonomia. A sensação dominante entre a maioria de artistas, técnicos e produtores de espetáculos é simples, direta e inquietante. Querem o Sated Piauí passado a limpo. Ainda há muita coisa por vir.

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O despacho trabalhista enseja o processo 0000810-21.2026.5.22.0003, da 3ª Vara do Trabalho de Teresina, movido por Safira Bringel Avitabile contra o Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado do Piauí.

A juíza Daniela Martins Soares Barbosa determinou que o sindicato seja notificado para se manifestar em 2 dias sobre um pedido de tutela de urgência. Isso indica que a autora pediu alguma medida imediata, antes do julgamento final, e o juízo quer ouvir o sindicato antes de decidir. Também foi determinado que o processo seja incluído em pauta de audiência, ou seja, haverá audiência trabalhista marcada.

O caso deu entrada no Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região e tem tramitação preferencial por envolver pessoa idosa. O sindicato terá prazo curto para responder por ser uma medida urgente. O despacho não decide o mérito, mas mostra que a Justiça do Trabalho abriu contraditório antes de avaliar o pedido emergencial. Entretanto, o protocolo aponta ao acatamento da petição inicial.

Confira o documento

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*** Texto escrito por colaborador externo. As opiniões nele contidas não refletem, necessariamente, a opinião do veículo.




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