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Produção de mel impulsiona renda de agricultores familiares no Piauí

Estado exportou cerca de 9 mil toneladas de mel em 2025 e arrecadou aproximadamente R$ 120 milhões com vendas internacionais.

Por Isadora Santos

22 de maio de 2026 às 13:13 ▪ Atualizado há 1 semana


A produção de mel tem impulsionado a economia e transformado a realidade de milhares de agricultores familiares no Piauí. Em 2025, o estado exportou cerca de 9 mil toneladas do produto para países como Estados Unidos, Itália, França, Alemanha, Reino Unido e Japão, movimentando aproximadamente R$ 120 milhões.

 Produção de mel impulsiona renda de agricultores familiares no Piauí - Foto: Geirlys SilvaProdução de mel impulsiona renda de agricultores familiares no Piauí - Foto: Geirlys Silva   

Presente em todos os territórios de desenvolvimento do estado, a apicultura se consolidou como uma das principais atividades da agricultura familiar piauiense. Atualmente, cerca de 12 mil famílias vivem da produção de mel, atividade incentivada por programas da Secretaria da Agricultura Familiar (SAF), em parceria com outros órgãos estaduais e federais.

“A apicultura, para nós da roça, foi um divisor de águas”, é o que diz o apicultor Luís Henrique da Costa, de Itainópolis, no Território Vale do Rio Guaribas. Criado em uma família de apicultores, ele afirma que a atividade foi responsável por mudar a condição financeira da família e proporcionar uma melhor condição de vida.

 Luís Henrique - Foto: Geirlys SilvaLuís Henrique - Foto: Geirlys Silva   

“Meu pai me fala que a apicultura abriu caminhos e mudou nossa realidade. Hoje conseguimos viver bem melhor, alcançamos um nível de condição que não esperávamos, não apenas financeiramente, mas também no sentido de ter maior independência, de poder exportar para outros países, como EUA, Itália, Alemanha e entre outros”, destacou Luís Henrique.

Segundo a SAF, o Piauí ocupa atualmente a posição de maior exportador de mel orgânico do Brasil e segundo maior produtor nacional de mel em todas as modalidades. O crescimento do setor é atribuído aos investimentos em infraestrutura, mecanização e capacitação dos produtores.

Entre as ações realizadas estão a construção de 40 casas de mel, distribuição de 15 mil caixas de abelhas e aquisição de equipamentos utilizados no processo de extração e armazenamento do produto.

“A SAF tem um papel importante no fomento à apicultura no estado, com a Codevasf e outros parceiros do Governo do Piauí que contribuíram para que a gente tivesse esse patamar atual. Maior exportador de mel, maior produtor de mel orgânico do Brasil e segundo maior produtor de mel de todas as modalidades no Brasil. Quase 12 mil famílias envolvidas nessa atividade, nos aproximando da marca de 10 mil toneladas de produção por ano”, destacou o diretor de Projetos para os Territórios do Semiárido da SAF, Francisco das Chagas Ribeiro.

 Produção de mel impulsiona renda de agricultores familiares no Piauí - Foto: Geirlys SilvaProdução de mel impulsiona renda de agricultores familiares no Piauí - Foto: Geirlys Silva   

De acordo com o diretor de Projetos para os Territórios do Semiárido da SAF, Francisco das Chagas Ribeiro, conhecido como Chicão, os investimentos ajudaram a fortalecer toda a cadeia produtiva.

“Esses números foram alcançados com bastante trabalho e investimentos nos projetos produtivos para construção de casa de mel, equipamentos como centrífugos, decantadores, mesas desoperculadoras, distribuição de caixas, de novas colmeias, capacitações feitas pela SAF e Codevasf”, disse o gestor.

Inovação

Além da produção tradicional de mel, o estado também investe em inovação tecnológica na apicultura. Um dos projetos desenvolvidos no município de Piracuruca trabalha com a extração de apitoxina, substância presente no veneno da abelha e considerada um produto de alto valor comercial.

“A Codevarp apresentou recentemente no Conbrapi, a experiência do laboratório de extração de apitoxina, que é o veneno da abelha, uma atividade inovadora no país. A apitoxia, juntamente com a geleia real e a própolis, são os produtos que acabaram agregando mais valor. De todos os produtos da abelha, o que tem menor valor é o mel, mesmo sendo o mais comum e mais produzido”, disse Chicão.

De acordo com Francisco das Chagas, 1 quilo de mel é comercializado no valor de R$ 14, enquanto 1 grama de apitoxina é vendido por R$ 250. Cada abelha consegue produzir em torno de 0,3 miligramas dessa substância.

“É uma discrepância de valores, claro que a abelha produz muito mais mel do que veneno. Cada abelha pode produzir 0,3 miligramas de apitoxina e uma caixa com 80 mil abelhas produz 40 quilos de mel por ano. Guardado essas proporções, a apitoxina, própolis e geleia real são produtos mais valorizados do que o mel, que é mais conhecido”, afirmou o o diretor da SAF.

A experiência foi apresentada recentemente durante o Congresso Brasileiro de Apicultura, em Florianópolis, e coloca o Piauí entre os estados que investem em novas alternativas de renda dentro da cadeia apícola.

No interior do estado, o processo de produção já conta com etapas mecanizadas. Após a extração nas casas de mel, o produto é encaminhado para cooperativas locais e, posteriormente, para centrais responsáveis pela exportação.

Para os produtores, a atividade vai além da geração de renda e se tornou um motor de desenvolvimento regional.

“No Vale do Guaribas, a apicultura se tornou a principal fonte de renda de muitas famílias. Ela movimenta toda uma cadeia, desde a produção até a exportação”, afirmou Luís Henrique.

Fonte: Com informações da SAF




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